Três faltas e você será foracluído -

    Nilo Barroso

    7 Letras
    2019
    256 páginas
    8h 32m
    ISBN-13: 9788542107814
    Português Brasileiro

    No espaço-tempo deste romance, Nilo Barroso consegue contrair e expandir o inimaginável: nestas páginas o autor mistura um amplo leque de referências da cultura pop contemporânea, desde livros, filmes e seriados de ficção científica, de Jornada nas estrelas a Blade Runner, da mitologia grega a a teorias de hiperespaço e das supercordas, passando por observações freudianas, grandes conspirações da CIA e por fatos históricos, como as guerras greco-persas, numa trama policial originalíssima que envolve ainda uma obsessão amorosa. A repetição de algumas cenas ocorre como recurso narrativo, numa espécie de metalinguagem da quarta dimensão, abrindo espaço para que o leitor embarque numa viagem no tempo junto com os personagens deste enredo fantástico.

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    Douglas Oliveira13/08/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Uma história maluca, mas intrigante

    Confesso que fiquei um pouco fora de órbita depois de ler “Três faltas e você será foracluído”. Na verdade, o título é um pouco mais longo que isso: “Três faltas e você será foracluído ou o outro está sempre de olho ou a paz do anoitecer ou what hath God wrought? ou quiz”. Tipo, só por aí já é de se imaginar que vem pela frente uma história maluca e, ao mesmo tempo, instigante e intrigante. Na obra, somos apresentados a Coxo, Hugo Mandrix e o detetive Marion Crane. O primeiro trabalha na rede de cafeteria Starbucks. O segundo se autointitula viajante do tempo e é aficionado por Helena, o que coloca em risco a ordem cronológica das coisas. E o terceiro é o responsável por um triplo homicídio, um crime bárbaro e, aparentemente, sem explicações. E todos eles, de alguma forma estão interligados. Confesso que eu ainda não compreendi toda a história – o que talvez exija uma nova leitura, futuramente. Mas o que eu posso dizer é que o autor faz uma verdadeira viagem, das bem malucas, que passam por guerras dos tempos antes de Cristo, a mitologia grega e Inteligência Artificial. E para isso, ele usa personalidades reais, dando vida a elas para construir sua narrativa, e personagens fictícios de livros, filmes e séries, como “Jornada nas Estrelas” e “Arquivo X”. O famoso detetive Fox Mulder realmente ganha vida nesta história. Quando li a sinopse da obra, logo imaginei uma história de ficção científica – o que logo me deixou curioso. E realmente é isso o que o autor entrega, mas ele vai muito além, nos dando, também, investigação policial, drama, conspirações envolvendo CIA e FBI, fatos históricos, psicanálise (!!) e a rotina de um brasileiro que trabalha na Starbucks, em Washington, cenário da obra, que também é palco dessas conspirações, crimes e, por que não, campo de batalhas pós-apocalípticas – para você ver até onde vai essa obra. Como disse, o livro tem uma narrativa muito instigante, com capítulos curtos que facilitam a leitura. Mas há muitas divagações, principalmente nas partes de Mandrix, em que a leitura se torna um pouco mais densa. Foi no mínimo difícil acompanhar suas elucidações sobre como estava envolvido em uma trama, tudo por colocar em risco a ordem das coisas. Mas o autor demonstrou um vocabulário muito rico e uma forma de contar a história que, para mim, a tornou muito interessante. O espaço-tempo desse romance é, no mínimo, tão transitório quanto a mente de Mandrix… não sei, houve vezes em que eu não sabia se estávamos realmente no ano que eu pensei que estávamos no começo. E outras que os fatos deixavam claro onde e quando estávamos. Mas o autor joga muito com isso, até por ter como personagem principal um viajante do tempo! Como eu avalio essa obra é basicamente isso. Ela é dividia em quatro partes. A primeira e a segunda foram as mais “difíceis”, ainda que a leitura tenha avançado rápido. Na terceira parte é que as coisas meio que “deslancham”, pra mim. E na quarta, meio que volta às duas primeiras, não na narrativa, mas na dificuldade em processar tudo o que o autor estava querendo contar desde o início. Dito isso, acho que ele deixou algumas perguntas para os leitores que podem ou não ser respondidas por nós. Eu prefiro quando o autor deixa às claras o que ele pretende com a obra, quando ele nos dá essas respostas, ou um indício dessas respostas, para que eu não tenha que ficar rememorando e pensando o que exatamente ele queria dizer com tudo aquilo. Ainda assim, eu devo aplausos a Nilo Barroso, pois acho que essa foi sua intenção: nos fazer dissecar sua obra e tentar entender todas as entrelinhas. ou quase todas. E ele faz isso de uma maneira muito inteligente e instigante. Enfim, se você quer um livro com requintes de ficção científica, investigação criminal, referências culturais e psicologia, esse é o livro certo e fica minha recomendação aqui. Eu mesmo terei que ler novamente para entender a trama e pode ser que eu ainda fique com dúvidas, mas aí está a magnitude dessa obra ao nos fazer questionar até mesmo em que ano estamos – e se não há alguém atrás de nós acompanhando nossos passos…

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