De um trauma ao Outro (Dor e existência) -

    Colette Soler

    Blucher
    2021
    120 páginas
    4h 0m
    ISBN-13: 9786555062892
    Português Brasileiro

    Com relação à psicanálise, a inversão é completa. O discurso dominante se ocupa de traumatismos que não são sexuais, nem originários ou genéricos, que não têm nada de constitutivo, que são acidentes da história, ao mesmo tempo coletiva e individual. A esses traumatismos, que é preciso chamar de contingentes, ele acrescenta uma suposta vítima inocente, que cai sob o julgo do autómaton, com efeitos pós-traumáticos que o liberam de toda implicação subjetiva, e à qual somente devem ser dispensados cuidados e reparação. Evidentemente, há aí algo a se julgar, e inclusive resolver quando o problema do tratamento se apresenta. Vale ressaltar que a psicanálise, tal como entendo a psicanálise lacaniana, está ali lutando, luta ética contra toda concepção psi que, em sua condescendência bem-intencionada, faz do sujeito uma marionete da sorte. Trata-se de saber, especialmente para os psicanalistas, se o trauma que está no cerne do inconsciente, como segredo dos sintomas, é da mesma classe que os traumatismos que o discurso contemporâneo produz. Qual é a sua incidência nesses novos traumas? A historicidade do tema do traumatismo, bem como a da angústia, indica por si só em que medida ele se relaciona com a ordem do discurso que regula os laços sociais, como também a subjetividade.

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    Janaína 26/10/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Um retorno feliz a psicanalise lacaniana.

    Um retorno a psicanálise lacaniana para quem é winnicottiana, em perfeito momento por seu maior debruçamento sobre as neuroses que às não-neuroses que é o que vim estudando mais. Tanto com a crítica a cultura capitalista comodificadora da vida e seu efeito de trauma pelo vazio simbólico crônico que comparece à clínica, como a importante passagem na psicanalise, da hipótese da sedução à da fantasia na genese dos sintomas, uma vez que solta o analista do apego a uma investigação no Real quando o que importa é aquilo que se passa na realidade psiquica e singular de cada um, na implicação do inconsciente , do sujeito do inconsciente, sem o qual a analise é impossivel. Sujeito que articula sua historia pela mediação do simbolico, da palavra, nosso instrumento subjetivante frente ao trauma que consiste em uma des-subjetivação radical.

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