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    Nós somos a cidade (Grandes cidades #1) -

    N. K. Jemisin

    Suma
    2021
    336 páginas
    11h 12m
    ISBN-13: 9788556511201
    Português Brasileiro
    3.9
    659 avaliações
    Leram740Lendo83Querem2476Relendo1Abandonos125Resenhas165
    Favoritos76Desejados2476Avaliaram659

    Em Nós somos a cidade, N. K. Jemisin – autora best-seller do New York Times e a única escritora de todos os tempos a ganhar o prêmio Hugo por três anos consecutivos – cria uma história de cultura, identidade, magia e lendas em uma Nova York contemporânea e intrinsicamente múltipla. Toda cidade tem alma. Mas toda cidade também tem um lado obscuro. Um mal antigo espreitando sob a terra, esperando pelo momento certo para atacar. E quando Nova York desperta, corporificada na figura de um franzino garoto de rua, o ataque que se segue é brutal. O jovem, avatar da metrópole, fica em um coma mágico, e a cidade corre perigo com o mal que infesta ruas e pessoas, ameaçando destruí-la. É então que outros cinco avatares são chamados à luta. Em Manhattan, um jovem universitário sente o pulsar da metrópole e compreende seu poder. No Bronx, a diretora lenape de uma galeria de arte descobre estranhos grafites que a atraem de maneira irresistível. No Brooklyn, uma antiga MC que entrou para a carreira política consegue ouvir a música da cidade. No Queens, uma imigrante indiana com um visto de estudante não entende como pode se tornar parte de um lugar que mal a reconhece como cidadã. E em Staten Island, a filha oprimida de um policial violento sente o resto da cidade chamando por ela. Enquanto isso, o avatar de Nova York dorme, esperando que seus distritos consigam se unir e expulsar de uma vez por todas o invasor monstruoso à caça deles. "Nós somos a cidade defende com unhas e dentes as ideias de santuário, de família e de amor. É um grito de viva, uma aclamação, um chamado à luta." – The New York Times

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    Queria Estar Lendo23/08/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Resenha: Nós Somos a Cidade

    O mais recente título da N.K. Jemisin aqui no Brasil chegou pela Editora Suma - que cedeu este exemplar em cortesia. Nós Somos a Cidade é um espetáculo em questão de fantasia e construção de universo criativo e, mais uma vez, outra história da Jemisin arrebatou minha atenção do começo ao fim. As cidades estão vivas. Algumas delas, pelo menos. Algo de obscuro vem rondando Nova York, o que a força a despertar e convocar seus avatares - pessoas que pertencem e são Nova York, de um jeito ou de outro, e que vão lutar por ela e com ela e, principalmente, sendo ela. A guerra tem um único Inimigo, e cabe aos representantes da cidade impedir que ele destrua tudo o que conheçam; como fazer isso? Esse é o grande mistério, entender quem são, por que foram escolhidos e como podem proteger sua cidade sendo essa cidade. Nós Somos a Cidade entrou para a lista das fantasias mais criativas, inesperadas e bizarramente fabulosas que eu já li na vida. A narrativa da Jemisin é gradual, tomando seu tempo para explicar as coisas, personagens, suas vivências e o quanto elas importam para cada um deles. Afinal de contas, temos cinco protagonistas; um para cada grande distrito de Nova York. Um para cada característica que faz desses distritos tão parte dessa cidade gigantesca e agora desperta. Enquanto o Inimigo age através daqueles que guardam preconceito e rancor e ódio e infinitos sentimentos ruins - as pessoas de bem, conservadoras, brancas, cis, em sua maioria - a cidade desperta naqueles que são alvo desses ataques. Pelo menos em 4 deles. "Então, lição número um sobre Nova York: o que as pessoas pensam sobre nós não é o que somos de verdade." Bronca, Brooklyn, Manny, Padmini são nossos protagonistas junto com Aislyn; eu gostei de como a autora recortou as vivências de cada um dos personagens através das suas características principal (de onde vieram, de quem descendem, quais são suas orientações sexuais e qual a maneira com que eles reagem ao mundo). Mesmo conhecendo pouco de Nova York, você se sente familiarizada com ela através desses protagonistas. E Aislyn, diferente de todos eles, representa uma parcela alienada, (sinto dizer, burra) e facilmente manipulável. Uma garota branca que vive isolada do resto do mundo e encara as diferenças nele como o problema de tudo, tal qual foi ensinada a acreditar; quando encontra brechas para questionar, ela se recusa. É mais fácil permanecer na ignorância preconceituosa do que bater de frente com aquilo que está internalizado em você. É mais fácil olhar para um inimigo com o rosto de uma mulher branca e vê-la como salvadora do que olhar para pessoas diferentes de você e entender que são seus aliados tanto quanto você é deles. Eu odeio tanto a Aislyn, cara. Ela é toda radfem, conservadora, branca, cis de mente fechada que não quer ouvir o mundo falar sobre problemas infinitamente maiores do que os dela. E é certeiro o quanto a narrativa fisga a gente mesmo na revolta e na indignação. Seus personagens são tão complexos e interessantes e vivos quanto a cidade que representam. Eu amei a Bronca; um senhora idosa lésbica de origem indígena que trabalha num centro de artes, que também é refúgio para quem foi abandonado por abraçar quem realmente é, que lutou na revolta de Stonewall e que não tem tempo para quem está começando. Ela é toda badass e turrona, mas tem um coração de ouro e muita gentileza em seus trejeitos. Aliás, falando em representatividade queer, esse livro é um estouro muito bem feito em tudo. Manny, Brooklyn e Padmini também foram excelentes personagens e trouxeram muito para a história. Manny e os mistérios envolvendo sua origem e quem ele é de verdade; Brooklyn e sua postura de quem lutou muito para chegar onde chegou e não vai deixar ninguém entrar no caminho de quem quer proteger; Padmini, apaixonada por matemática e que só queria ter um minuto de paz. E São Paulo! Nossa querida e gigantesca e cinzenta cidade é representada por um cara cheio de si e determinado e eu não encontrei um defeito na maneira com que a Jemisin deu vida à sampa-city. É bem crível (e hilário em certos momentos). Tem até espaço para um cena memorável com brigadeiro. Em relação à história, é fantasia da mais pura. E é uma fantasia crível porque mexe com o que a gente conhece; não há dragões, mas há monstros que poderiam aparecer nas ruas de uma cidade grande. Não há espadas e cavaleiros, mas há cidades dispostas a se erguer para uma batalha. Todo o conceito do que compõe Nós Somos a Cidade vai aparecendo aos poucos e, conforme entendia o que está acontecendo, como está acontecendo, por que está acontecendo, grandes AHMEUDEUS me escaparam. O jeito como ela mescla outras fantasias ao seu universo é brilhante. Tem crítica para tudo que é lado e eu amo como a N.K. Jemisin entrelaçou debates sociais, de raça, de gênero, de sexualidade em meio à guerra interdimensional que está começando. "- Essa cidade vai te comer vivo, sabe. Se você deixar. Não deixe." Assim como foi com A Quinta Estação, eu fiquei babando pelas descrições e ambientações. Você viaja para Nova York, você atravessa as ruas de Manhattan, você vê monstros aparecendo em Staten Island. Tudo está ali, na maneira com que ela descreve vividamente e cheia de detalhes, dando o máximo de imersão para quem está lendo. Toda a questão com quem é realmente a entidade maligna e o que ela quer e como essa revelação chega num momento chave pra deixar a gente ainda mais tensa: uau. Eu não esperava certa conexão com um universo conhecido, mas é claro que fazia muito sentido ser aquilo! O livro tem um ritmo diferente das fantasias de sempre; até mais da metade dele, ainda estamos entendendo seus personagens e seus papéis. Depois da metade dele, é pura adrenalina e correria e desespero. Nunca enfadonho demais, nunca corrido demais, nunca confuso demais. Tem tudo na medida certa. "- Quem diz que mudanças são impossíveis geralmente está muito satisfeito com as coisas como estão." A edição da Suma está ótima. É um livro de tamanho mediano por causa da diagramação mais larga e espaçosa - de letras menores. Tem apenas um defeito nesse livro, e é o tamanho dos capítulos; mas isso é chatice minha porque eu prefiro capítulos menores, por fluírem melhor. Nós Somos a Cidade é imensurável como a cidade que dá voz à história. É cheio de vida, de diversidade, de uma imensidão sem fim; dá para ouvir as buzinas dos táxis e as pessoas conversando nas ruas porque a cidade que nunca dorme quer viver, e vai garantir que todes saibam disso.

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    3.9 / 659
    • 5 estrelas25%
    • 4 estrelas39%
    • 3 estrelas27%
    • 2 estrelas7%
    • 1 estrelas2%
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    Nora K. Jemisin

    N. K. JEMISIN nasceu em 1972, em Iowa, e é a primeira escritora a vencer o prêmio Hugo de Melhor Romance por três anos consecutivos. Sua obra também ganhou os prêmios Nebula, Locus e Goodreads. Ela escreve para o New York Times Book Review e já deu aulas no workshop de escrita da Clarion West. Em seu tempo livre, ela gosta de jogar videogames e cuidar do jardim.

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    Nora K. Jemisin