Um romance baseado nos acontecimentos vividos pelos primeiros imigrantes japoneses no Brasil, no qual transparece sentimentos e gestos sincero e típico de um japonês, que enfrentara trabalho verdadeiramente árduo como colono nas fazendas de café nas décadas 20 e 30, e os anos que sucederam de conflitos internos entre os decasséguis japoneses no Brasil decorrentes da Segunda Guerra Mundial.
A obra é extremamente rica em questões culturais, mostrando o Japão do século XVIII e a condição de miséria das famílias japonesas desse período, cujo motivo levou os japoneses a imigrarem ao Brasil como decasséguis para garantir sobrevivênvia à família. As experiências vividas por eles durante a viagem de um mês e meio dentro de um navio para as terras longíquas e desconhecidas, bem como as dificuldades de se adaptar com o clima, a desilusão de que seria possível acumular dinheiro em poucos anos e acontecimentos gerados pela Segunda Guerra Mundial são contadas de maneira muito próxima a partir do olhar japonês, retratado pelos personagens.
A partir dessa visão é possível observar os pensamentos e comportamentos extremamente patriota conduzido pelos japoneses no pré e pósguerra, em que se desconhece uma consciência voltada à dignidade da vida e a ideia do quão desprezível e inútil é a guerra. Tal falta de consciência foi a causa de muitos conflitos ideológicos entre os japoneses decasséguis.
O romance, que trabalha com dois cenários paralelos, mostra a vida dos japoneses que ficaram no Japão durante o período em que se iniciou a imigração até os dias atuais, transcorrendo a Segunda Guerra Mundial e a mudança social que este trouxe ao Japão; e a vida daqueles que enfrentaram o oceano e os anos que sucederam a vida no Brasil, mostrando a influência de sua cultura no país.