O Dossiê Rubicão - Quando a morte assume o poder

    Ramiro Batista

    Batel
    2010
    512 páginas
    17h 4m
    ISBN-13: 9788599508282
    Português Brasileiro

    Um jovem repórter em busca do furo da sua vida. O desaparecimento de uma bela fotógrafa com um dossiê suspeito. As intrigas nos bastidores de um grande jornal. O fracasso da campanha das Diretas Já. As maquinações políticas, as conspirações secretas, as pressões militares e a corrupção eleitoral. A eleição do primeiro presidente civil depois de vinte anos de ditadura militar. A doença escondida, a posse malograda e a manchete que ninguém deu. A morte rondando o Poder, antes, durante e depois da travessia de um dos momentos mais traumáticos da nossa história recente, o Rubicão de um personagem, de um povo e de um país. Nunca realidade e ficcção se pareceram tanto. Nunca a recente história do Brasil foi contada assim. Sinopse: Uma fotógrafa com um dossiê que antecipa manobras da transição da ditadura para a democracia desaparece no meio do comício das Diretas, na Candelária, e o governo, os militares e o próprio Tancredo podem estar envolvidos. Um foca cheio de vontade de mudar o mundo vai investigar, se envolver nas tramas da sucessão e descobrir que o candidato a presidente que carrega todas as esperanças nacionais tem uma doença grave e pode não tomar posse. Vai tentar publicar seu furo contra a má vontade de todo mundo num momento em que não se podia/queria acreditar que isso pudesse ser verdade.

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    Ramiro Batista de Abreu05/06/2010Resenhou um livro
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    O dossiê Ramiro Batista

    Análise de Tião Martins, jornal Hoje em Dia, de Belo Horizonte-MG: Alguém já disse que o Brasil não é para amadores. E, alterando sem licença o que escreveu Millôr Fernandes, se os homens das cavernas soubessem como seria nosso país, jamais teriam saído lá do fundo. A coisa está preta, meu camaradinha. E a luz no fim do túnel pode ser um incêndio. Ou ilusão de ótica. Se você acreditar no autor e na história, essa é a conclusão desanimadora que fica da leitura de uma ficção política lançada recentemente pelo mineiro Ramiro Batista, influenciado pela literatura norte-americana, que nesse gênero é abundante. Os ianques adoram conspirações políticas e até hoje não chegaram a um acordo sobre o assassinato de John Kennedy. Já o nosso Ramiro, por viver em país mais selvagem que os Estados Unidos da América, juntou farto material e teceu um retrato arrasador da sociedade brasileira. "O Dossiê Rubicão", com o subtítulo "Quando a morte assume o poder", é uma radiografia, em 505 páginas, dos nossos maus costumes na política, nos negócios e na imprensa. Mas não esqueça: é tudo ficção. Habituados a desconfiar de que nos bastidores da política e da economia há sempre mil negociatas inconfessáveis, os jornalistas - que compõem o núcleo central do romance - revelam-se tão corrompidos quanto os demais atores desse drama. São bêbados, dissimulados e gananciosos, que mal ocultam suas frustrações e impiedades. A ficção de Ramiro Batista não se limita ao período que vai dos estertores do regime militar até a vitória de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral: a deterioração da ética na sociedade brasileira, que o autor castiga com a chibata de um Corregedor, começa bem antes e irá penetrar pela Nova República adentro. Nesse Titanic simbólico, ninguém se salva: empresários, políticos e jornalistas, civis e militares, homens e mulheres, oposição e governo, traficantes e policiais, jovens e velhos. Vaidosos, egocêntricos e capazes de trocar a alma por migalhas de fama e poder, mulheres fáceis, milhões de dólares ou cerveja gelada e carreiras de pó, somos todos cúmplices do naufrágio. Não há inocência possível, parece dizer o autor, que não perdoa sequer o silencio dos mortos: viajam juntos, no mesmo barco, Tancredo e Brizola, Franco Montoro e Ulysses, ACM e Délio Jardim de Matos, João Figueiredo e Golbery, editores e repórteres, o empresário que se mata e a jovem fotógrafa viciada em drogas. (A certa altura, antes da página 100 e embora nem participe da trama, nosso Darcy Ribeiro ganha a qualificação de "lunático". Por tentar resistir ao golpe militar, por ser intelectual, por haver construído o Sambódromo, no Rio, ou por inventar a Universidade de Brasília? Não se sabe, mas dizem que a loucura é dom divino). Nem que seja para refrescar a memória dos fatos históricos, vale a pena ler e discutir "O Dossiê Rubicão", que nasceu de um trabalho de pesquisa. É pena que o autor fale como divindade do Olimpo e cometa o pecado de horizontalizar a culpa. E, se todos os personagens são iguais, o espetáculo vira um saco e a única saída é o suicídio (acontecem dois). Até por esperteza, deveria poupar alguém. Mas Ramiro não quis ser esperto. Já o abuso de adjetivos, sobretudo ao descrever emoções, é tema para críticos, que acham piolhos na cabeça dos heróis. E nesse livro não há heróis. Leiam e se defendam.

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