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    A superindústria do imaginário (Ensaios) - Como o capital transformou o olhar em trabalho e se apropriou de tudo que é visível

    Eugênio Bucci

    Autêntica
    2021
    448 páginas
    14h 56m
    ISBN-13: 9786559280513
    Português Brasileiro
    4.3
    25 avaliações
    Leram35Lendo13Querem191Relendo0Abandonos2Resenhas7
    Favoritos2Desejados191Avaliaram25

    A partir da segunda metade do século XX, o capitalismo entrou em acelerada mutação e o corpo da mercadoria perdeu lugar para a imagem da mercadoria, interpelando o sujeito pelo desejo, não mais pela necessidade. O valor de uso deu lugar ao valor de gozo. Assim, os conglomerados monopolistas globais que se ocupam da comunicação, da exploração do olhar e da extração dos dados pessoais – e dos quais as mídias digitais um combustível e uma extensão – se tornaram o centro do capitalismo, a aura mais fulgurante da Superindústria do imaginário. Este livro pretende, portanto, explicar a mudança no curso a partir da qual a comunicação desenvolveu sua capacidade particular de fabricar valor em escala superindustrial e passou a dominar nada menos que o centro do capitalismo. Para isso, Eugênio Bucci se vale de um repertório vasto, que vai da sociologia jurídica à linguística, da física à filosofia, da psicanálise à economia política, se inscrevendo, também, no campo dos estudos da comunicação.

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    Carla Flores picture
    Carla Flores22/01/2025Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Consumir é ser consumido.

    Quem controla o capitalismo? É um sistema complexo com múltiplos fatores. É mais um sistema de forças em interação do que algo controlado por uma única entidade. Capitalismo é o caos e sobre o caos nada nem ninguém tem controle. Bucci cita o jargão “novo petróleo” para se referir ao dados pessoais e tendências dos “usuários” (aqui o termo é pejorativo, como usuários de droga) coletados pelo monopólio liberalizado das big techs. Estas usam os cockies, algoritmos e cadastros em sites, bem como as caras e bocas que o usuários faz ao ver determinada coisa no “telespaço público”. Aprendi também sobre como as marcas criam imagens que vendem, a mercadoria não é mais uma coisa corpórea, palpável. Apple é uma maçã, Lacoste é um jacaré, Nike é um check; a mercadoria não tem mais o valor da força de trabalho empregada nela, não é mais levado em conta o custo de produção e o lucro, mas o valor social empregado na imagem (mercadoria). Esse valor social está atrelado ao valor de gozo, que é insaciável. Quanto mais se tem mais se quer. A mercadoria não serve mais para suprir uma necessidade, mas um desejo. Bucci faz todo um trabalho de psicologia do consumo mostrando de onde vem esse desejo, lá nas profundezas do inconsciente. Resultado disso é o consumo desenfreado e a poluição inconsequente. O tópico mais que atual desse livro está nos significados e significantes. Na instância da palavra impressa e na instância da imagem ao vivo. Na videologia. AS fake news tomam conta da mente dos crédulos ingênuos. E elas não aparecem como uma mera coincidência, há manipulação por trás e isso tem a ver com as redes sociais desregulamentadas. Adorno e Horkheimer, criadores do conceito “indústria cultural” são muito citados na obra. O entretenimento tomou o lugar das religiões, dos ídolos, das instituições; passando, com isso, credibilidade. A fake new vem disfarçada de entretenimento com máscara de verdade. É como assistir um filme de ficção e achar que aquilo acontece mesmo. Ó cuidado com o vampiro à noite! E quando vai ver são só ataques de morcego. O entretenimento se tornou o criador de mito da supermodernidade. E pra piorar tudo corre na velocidade da luz. É como piscar e perder a notícia, seja ela verdadeira ou não. Ao prazo de uma sinapse a informação já foi adiante e não há quem desminta. Sendo mais fácil revogar uma lei a conscientizar os ingênuos. É um livro que passa uma certa desesperança, com um teor distópico. O capitalismo, a política, os governantes estão fora do controle. A engrenagem desregulada não para e não há o que a coloque nos eixos. Bucci fala mal de Bolsonaro mas sem nunca citar seu nome. kkkk Marx também aparece muito. Livro que já li que me vieram à mente durante a leitura foram Vida Para Consumo de Zigmunt Bauman, Sociedade do Cansaço de Byung-Chul Han e Dialética do Esclarecimento de Adorno e Horkheimer. Recomendadíssimo pra ontem!

    10 curtidas

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    Avaliações

    4.3 / 25
    • 5 estrelas28%
    • 4 estrelas60%
    • 3 estrelas12%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
    Eugênio Bucci profile picture

    Eugênio Bucci

    Nasceu em Orlândia, São Paulo, em 1958. Formou-se em direito e jornalismo na Universidade de São Paulo. Foi editor da revista Teoria e Debate, diretor de redação das revistas Set, Superinteressante e Quatro Rodas, secretário editorial da editora Abril, articulista da Folha de S.Paulo e colunista de O Estado de S. Paulo e Veja. Foi presidente da Radiobrás e é professor na Escola de Comunicação e Artes da USP.

    11 Livros
    6 Seguidores
    São Paulo, Brasil

    Eugênio Bucci