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Seminario 8 - La transferencia: en su disparidad subjetiva, su pretendida situación y sus excursiones técnicas
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Ver maisO que aconteceu com Miller?
Problemas cruciais para a psicanálise é um dos seminários em que Lacan está mais preocupado com a formalização da psicanálise. A formalização evita todo tipo de metaforização que nos faça interpretar que um chapéu representa um pênis em um sonho. Segundo Lacan, o inconsciente nada tem a ver com esse tipo de significação metafórica. O inconsciente é "pensamentos cujo verdor está extenuado" (p. 15). O sujeito do inconsciente, com seu caráter evanescente que surge entre a rede significante, também se esvanece sob o sentido, já que "o sentido é o que o faz desaparecer como ser". Para Lacan, é sob a segunda oração do cogito cartesiano, a saber, o "logo sou" que devemos apoiar a discussão sobre o ser. O "logo sou" é o sentido que faz o sujeito desaparecer como ser, porque dá sentido ao eu penso". É uma questão importante para a teoria lacaniana porque o único dado que temos é o sujeito que fala. Esse sujeito não se confunde com a pessoa que está deitada no divã. Também fica clara a importância que a topologia tem para o ensino de Lacan. Lacan rejeita a geometria da esfera que marca a teoria freudiana e procura se servir da topologia para demonstrar que na psicanálise "seu dentro é a mesma coisa que seu fora" (p. 38). Essa é a estrutura dos principais conceitos lacanianos, a saber, o inconsciente, o sujeito, o desejo etc. O que encontramos nessa topologia? Ora, o dentro está enodado com o fora de tal maneira que não faz mais sentido trabalharmos com essa diferenciação. Bem, se formos atentos à leitura dos seminários, desde o início Lacan está dizendo que o desejo é o desejo do Outro, que o Eu é um outro, que o inconsciente é o produto de uma análise. Não se trata, portanto, de um mero artifício de transmissão, mas da própria estrutura do sujeito, do inconsciente, do desejo. Lacan é taxativo quando diz que "aqui não entra quem não é topologista". Trabalhar com os conceitos lacanianos pela geometria clássica empobrece e retira todo o sentido do projeto lacanianos. Lacan também está preocupado com a questão do término da análise, que até este seminário não está resolvida. No seminário 15 ele tenta dar algum sentido ao fim da análise, mas de forma ainda um pouco obscura. Também fica claro o porquê do abandono do termo "intersubjetividade". Não trabalhamos com a intersubjetividade porque não estamos em uma análise como uma pessoa tentando compreender outra pessoa, como quando um policial encontra um outro policial. Trabalhar com a intersubjetividade já seria estar na dinâmica do dentro e do fora, seria trabalhar com os conceitos no espaço de três dimensões. Por fim, as lições e comentários de Miller são, por vezes, mais interessantes que as do próprio Lacan; não só em relação ao projeto de formalização, mas também em seus comentários sobre a decadência ética da psicanálise. Parece, de fato, um outro Miller. Quanto a tradução brasileira do seminário, é lamentável ter apenas essa tradução disponível. Além de uma série de erros de revisão e de tradução, alguns parágrafos foram tão mal traduzidos que leva o leitor ao erro. É revoltante ter um material tão precário na formação do analista brasileiro.
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