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    Carniça (Dragão Negro #1) -

    Paula Febbe

    Draco
    2021
    130 páginas
    4h 20m
    ISBN-13: 9786557530061
    Português Brasileiro
    4.1
    73 avaliações
    Leram85Lendo0Querem103Relendo0Abandonos2Resenhas20
    Favoritos8Desejados103Avaliaram73

    Você já pensou o quanto o conhecimento da existência da morte traz o fim para mais perto? As pessoas que moram em Bakhra, não. “Carniça”, de Paula Febbe, conta a história de uma aldeia em que os habitantes não morrem, pois não possuem conhecimento sobre a morte. A morte não é significada, falada, discutida ou sentida. Ela simplesmente não existe, nem nunca existiu. Acontece que, o que poderia ser visto como o maior alívio da existência humana, interfere de uma maneira muito particular nas relações entre as pessoas e na relação delas com o mundo. Já o narrador, mortal que chegou nesse local sem entender nada, começa a perceber que a falta da morte se desenvolve como um incômodo latente e crescente para ele. Uma revolta que mostra a construção de uma tensão jamais possível se o fim de todos da aldeia acontecesse. O livro foi escrito durante a pandemia e, não por menos, traz fortes elementos de um apelo em prol da vida eterna. Enquanto cada dia mais pessoas ficavam doentes e morriam, Paula Febbe estava em quarentena pensando sobre como a sociedade reagiria se conseguisse se livrar desse grande peso do fim. Do medo de sair de casa. Do medo de perder quem amamos. Do medo de deixar de existir. "Carniça" é uma ode à morte, à vida, e uma representação simbólica do quanto nos doamos sem pensar. É também uma ode à muito do que nos move, mas pode nos destruir.

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    Adriano picture
    Adriano03/06/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Horror psicológico

    Paula Febbe abre a coleção Dragão Negro com um livro de horror psicológico muito bom. Leitura gratificante. 1°livro da coleção de horror com projeto no Catarse. Trechos: A MORTE JAMAIS FOI ENSINADA NAS ESCOLAS DELES OU EXPOSTA COMO FATO, PORTANTO ELA NUNCA EXISTIU NAQUELE LUGAR. VIVEM SEM QUE NESSAS VIDAS HAJA ESSA SOMBRA. SEM ANSIEDADE POR VIVER CONSTANTEMENTE COM UM FIM QUE OS AFUGENTE. ‐---------‐--- Para os que vivem na aldeia, a não morte jamais significará não sofrimento. Aliás, significa exatamente o excesso de sofrimento. Até amar pode ser complicado. Afinal, isso poderá ser para sempre, jamais ser correspondido e, como vivem num lugar pequeno, com população bem reduzida, o apaixonado teria que ver a pessoa todos os dias. Para sempre. Seria como ter o coração em chamas sem fim, até porque o aprendizado, com eles estando sempre no mesmo lugar e convivendo sempre com as mesmas pessoas, não poderia ser grande, portanto não aprenderiam a amar nada diferente do que haviam aprendido no início. Ficar doente acontecia, claro, e isso também, às vezes, para sempre. Toda doença que não era curável virava crônica e tornava-se, então, a causadora de um sofrimento execrável. Assim que cheguei, tive a impressão que nunca alguém havia sido tão feliz e tão triste, ao mesmo tempo, quanto eles. ---------------- Na separação, no vácuo que há entre você e o outro, quando você percebe que algo mais, além de você, existe, é aí que começa a possibilidade do amor existir. De maneira nenhuma, antes disso. Antes disso, só raiva. Nossa relação primária com nós mesmos é de asco, revolta e raiva, pois a junção do outro em você, a junção do mundo em você, te causa ódio. Eu queria ser sozinho, mas com você. Você queria ser o nada. Por isso, a completa intimidade só pode trazer o caos. Muitos de nossos defeitos são o que desfazemos de nós no inominável. É nossa revolta por estarmos nessa realidade tão indizível quanto o espaço que há entre nossos afetos. À consistência é só uma questão de ter pouco tempo. Uma amostragem solitária do que tudo em você realmente foi. Viver é muito real para quem ainda está vivo. Palpável. Isso é inegável. Até mesmo o tédio pode fazer parte dessa conversa, pois todo dia as pessoas acordam, todo dia as pessoas dormem, e a rotina as torna incrivelmente pedantes. Afinal, nem toda a imensidão da vida e os questionamentos em relação à humanidade, nem tudo sobre a unidade de nossas relações é capaz de nos manter maravilhados por um tempo muito grande. Inconsistentes juvenis... Todos fomos e nunca deixaremos de ser. Parece ser nossa essência, não parece? Uma redundância eterna do que fizemos de mais humilhante. Juvenis falando por meios parabólicos sobre nossos feitos. O que buscamos na admiração do outro? Amor ou inveja? Você, de fato, sabe me dizer? Lembro de quem fui quando era jovem sem saber que morreria jovem, e me odeio ainda mais. As roupas, os pensamentos, o que eu vestia que me pertencia eo que ceu vestia que jamais me pertenceu. Quanto absurdo! Se aqui há apenas a possibilidade de sermos aquilo que contemos, assim seremos a cada segundo. Nada difere em relação a isso. Todos temos em nossas costas o peso daquilo que não foi dito no momento oportuno. E todos nós achamos que teria sido melhor de outro jeito, pois o agora não traz paz. Mas a paz é pólvora no revólver de quem te ama e não atira.

    9 curtidas

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    • 2 estrelas1%
    • 1 estrelas0%
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    Paula Febbe

    Paula Febbe estudou roteiro no Goldcrest Production Theater em Nova Iorque e psicanálise no CEP, em São Paulo. Autora de oito livros de ficção sobre a perversão e a psicose, ela tem uma escrita brutal e bastante característica em que expõe o pior que há no ser humano, assim, na cara, sem floreios. Escolhida como um dos novos nomes do terror nacional para integrar o time da editora Darkside, Paula já teve três dos seus livros entre os mais vendidos na Amazon e ganhou diversos prêmios no cinema com o filme 5 Estrelas, que co-escreveu com o diretor Fernando Sanches. Dentre eles, o Prêmio Aquisição Canal Brasil no Festival Ibero-Americano de cinema. O filme também fez parte da Seleção oficial do LABRFF, em Los Angeles e do Festival Fantaspoa no ano de 2020, mesmo ano em que Paula foi a roteirista do documentário Fetiche, de Heitor Dhalia, também inspirado por um conto da autora. Em 2021, 5 Estrelas ainda foi finalista do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro.

    22 Livros
    61 Seguidores
    São Paulo, Brasil

    Paula Febbe