A 3 de setembro de 1938, num subúrbio parisiense, foi realizada a Conferência de fundação da IV Internacional. Dez seções - mais um delegado em nome da América Latina - estiveram nela representados: URSS, Grã Bretanha, França, Alemanha, Polônia, Itália, Grécia, Holanda, Bélgica e Estados Unidos. Em um dia, a Conferência proclamou a nova Internacional e adotou seu programa (“A Agonia do Capitalismo e as Tarefas da IV Internacional”, com o subtítulo de “A mobilização das massas em torno das reivindicações transitórias como preparação para a tomada do poder”), chamado sumariamente de Programa de Transição. Aprovou também um Manifesto aos trabalhadores do mundo inteiro, que lançava “um apelo urgente, num momento em que um grande perigo ameaçava as massas do mundo inteiro”, às vésperas dos “horrores de uma nova guerra imperialista mundial”, suscitada pela agonia do mundo capitalista, que “exala os venenos do fascismo e da guerra totalitária”. A fundação da IV Internacional suscitou, desde o primeiro dia, vivas polêmicas, que ainda não se extinguiram. A conclusão do “Programa de Transição”, por outro lado, se refere a elas com precisão: “Os céticos perguntam: mas já é chegado o momento de criar uma nova Internacional? É impossível, dizem, criar uma Internacional “artificialmente”: só grandes acontecimentos podem fazê-la surgir, etc. (...) A IV Internacional já surgiu de grandes acontecimentos: as maiores derrotas do proletariado na História. A causa destas derrotas é a degeneração e a traição da antiga direção. A luta de classes não tolera interrupção. A III Internacional, após a II, está morta para a revolução. Viva a IV Internacional! Mas os céticos não se calam: ‘É agora o momento de proclamá-la?” A IV Internacional, respondemos, não tem necessidade de ser “proclamada”. ELA EXISTE E LUTA. Ela é fraca? Sim, suas fileiras são ainda pouco numerosas, pois ainda é jovem. Consiste, até o momento, sobretudo de quadros. Mas, estes quadros são a única garantia do futuro. Fora destes quadros, não existe, neste planeta, uma única corrente revolucionária que mereça realmente este nome. Se a nossa Internacional é ainda fraca em número, ela é forte pela doutrina, pelo programa, pela tradição, pela têmpera incomparável de seus quadros.” Alguns dias mais tarde, Trotsky, saudando a Conferência, apoiou-se na criação do ”Socialist Workers Party” nos Estados Unidos para afirmar: “Desde agora, a IV Internacional colocou-se frente às tarefas de um movimento de massas”, e, em 19 de outubro de 1938, na mensagem que ele envia ao comício de Nova York em comemoração à fundação da IV Internacional, ele previu: “Durante os próximos dez anos, o programa da IV Internacional tornar-se-á um guia para milhões de homens, e estes milhões de revolucionários saberão convulsionar a terra e o céu.”





