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    Meu Encontro com Marx e Freud -

    Erich Fromm

    Zahar Editores
    1979
    176 páginas
    5h 52m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    4.1
    27 avaliações
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    Este novo e extraordinário livro é a autobiografia intelectual de Erich Fromm, onde o grande psicanalista explica os caminhos que o levaram ao encontro de Freud e Marx, esses dois gigantes do pensamento que – com Einstein – são os grandes arquitetos do mundo moderno; O solo comum de onde brotou o pensamento de Marx e Freud é, em última análise, o conceito do humanismo e de humanidade que, remontando à tradição judaico-cristã e greco-romana, ingressou na história européia com a Renascença e desdobrou-se plenamente nos séculos XVIII e XIX: a realização do homem total, considerado como a possibilidade máxima do desenvolvimento natural. Temas abordados: Autobiografia Intelectual, Caráter Individual e Social, Inconsciente Social, Conceito Do Homem e Da Natureza, Evolução Humana, Motivação Indivíduo Doente e Sociedade Sadia, Conceito De Saúde Mental, Marx e Freud - Destino Das Duas Teorias, Idéias Correlatas, Pensamento do Séc. XX

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    Glauber Ataide19/04/2011Resenhou um livro
    2 (Razoável)

    O velho erro do universalismo abstrato

    Meu objetivo com este livro era aprofundar meus estudos na interseção entre marxismo e psicanálise, o que esta obra só me permitiu fazê-lo superficialmente. Mas até aí, tudo bem, pois não é este mesmo o seu objetivo. Este livro é uma biografia intelectual de seu autor, e não uma exposição do freudo-marxismo. O grande problema que encontrei aqui é que Erich Fromm comete o mesmo erro da maioria dos marxólogos acadêmicos, que despem o marxismo de seu caráter revolucionário para deixa-lo mais palatável para a burguesia. Ele mesmo afirma, nesta obra, que não é engajado politicamente, ou seja, é apenas um "marxista acadêmico". E isso é uma contradição, pois não é possível ser marxista e não estar politicamente engajado. Lembremo-nos da 11ª tese sobre Feuerbach, em que Marx afirma que os filósofos até hoje se limitaram a interpretar o mundo, mas o que importa, porém, é transformá-lo. A vida do próprio Karl Marx foi de engajamento político revolucionário. Assim, Fromm é seduzido pela cantilena burguesa de que Stalin foi um "assassino", e em diversos momentos o coloca no mesmo plano de Hitler, fazendo assim o jogo da burguesia que, derrotada e envergonhada pelo que fez na II Guerra Mundial, precisou inventar no campo da esquerda um monstro idêntico ao que eles realmente criaram e financiaram no campo da direita, Adolf Hitler. Além disso, é muito bonito que "marxistas acadêmicos", como Fromm, digam como as devem ser. Falam muito do "Homem", da "Liberdade", etc. Mas em momento algum eles dizem COMO isso deve ser alcançado. Se apegam a uma imaginária "pureza da revolução", que o filósofo italiano Domenico Losurdo chama de "universalismo abstrato", e criticam toda tentativa de construção do socialismo na prática. Essa postura é sempre consequência ou de falta de engajamento político ou de oposição esquerdista que não tem nenhuma responsabilidade de construir algo, mas apenas de desconstruir. E a primeira delas, não ser politicamente engajado, é ainda uma das razões pelas quais tal pessoa não pode carregar o título de marxista, pois não consegue ver essas nuances da vida prática se está apenas confortavelmente sentado num banco da universidade. Este suposto "distanciamento do objeto" mais cega do que faz ver. Mas para não deixar a impressão de que não há nada aproveitável neste livro, há vários pontos esclarecedores sobre o que há em comum entre Marx e Freud - cada capítulo do livro trata de um aspecto diferente. Um dos mais interessantes é sobre a atitude cética tanto de Marx quanto de Freud sobre aquilo que pensamos que sabemos. Para Freud, muito do que se passa na vida psíquica do homem é inconsciente, e ele não sabe exatamente porque age da forma que age. Já para Marx, as pessoas também não sabem por que pensam como pensam, pois suas idéias são em grande parte reflexos das condições concretas da sociedade em que vive. Ou seja, ambos os pensadores trabalham com um conceito semelhante de "racionalização". Para Freud, a racionalização é uma tentativa de dar sentido a uma ação ou pensamento que vem do inconsciente. Na obra de Marx, essa racionalização recebe o nome de "ideologia", isso é, uma justificativa da atual organização social, do status quo. Para os interessados no tema, um teórico que considero muito superior a Erich Fromm no freudo-marxismo é Wilhelm Reich, quando este ainda fazia parte do Partido Comunista da Alemanha. Sua obra deste período de militância política é muito mais profunda do que podemos encontrar neste livro de Fromm.

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    • 4 estrelas19%
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    Erich Fromm profile picture

    Erich Fromm

    Foi um psicanalista alemão, filósofo e sociólogo. Teve sua ascendência em uma família judia extremamente religiosa, da qual se originaram diversos rabinos. Ele mesmo desejava originalmente seguir este caminho. Cresceu em Frankfurt, onde inicialmente estudou direito, mudando depois ao estudo da sociologia em Heidelberg, doutorando-se lá em 1922 junto a Albert Weber sobre lei judaica. Até 1925 ele teve além disto aulas de talmude com o rabino Rabinkow. Em 1926 ele se casou com a psicanalista Frieda Reichmann. No fim dos anos 20, Fromm começou sua formação psicanalítica no Instituto de Psicanálise de Berlim junto a um aluno de Freud que não era médico, o jurista Hanns Sachs. Neste período, ele e sua esposa desistiram de seu estilo de vida judeu ortodoxo. A partir de 1929, Fromm atuou como analista leigo, por não possuir formação médica.

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    Erich Fromm