ABCedário do Cristianismo (Série História e Religião) -

    Pierre Chavot, Jean Potin

    Publico (Reborn)
    2000
    120 páginas
    4h 0m
    ISBN-10: 9728179626
    Português

    O ano 30 da era actual foi uma data fundadora na nossa história: um grupo de homens e mulheres assegura que o seu líder espiritual, um Jesus de Nazaré, morto dois dias antes por crucificação, ressuscitara do túmulo. A vida desse grupo, até aí escondido das autoridades, muda radicalmente a partir daí, passando a anunciar abertamente que, para eles, aquele Jesus era o Messias que eles, judeus, há tanto esperavam. Jacques Duquesne (“Jesus”, Círculo de Leitores, 1997) resume: “A história não poderá dizer se Jesus está vivo, ou se, pelo contrário, morreu para sempre no dia 7 de Abril do ano 30. O que pode dizer, porém, é que se passou alguma coisa naqueles dias, um acontecimento que, abalando aqueles homens e mulheres, abalou o mundo.” A experiência daquele grupo, durante cerca de três anos a calcorrear os caminhos da Galileia, era intensa: histórias que falavam de um outro sentido de vida; sinais que pareciam milagres, que demonstravam o que as pessoas são capazes de fazer quando têm fé em si mesmas e em Deus; desafios a viver de outra maneira, dando aos “deserdados e aos mais desprezados o primeiro lugar no Reino de Deus” e não hesitando “em conviver com eles” (“ABCedário do Cristianismo”, pág. 70). A proposta de Jesus era radical: só o amor absoluto pelo outro, só a capacidade de perdoar até ao fim, poderiam mudar as pessoas e a sociedade. Aquele grupo de mulheres e homens acreditou na capacidade transformadora dessa palavra. Com Paulo, alargou horizontes para o mundo conhecido, alterando paradigmas do judaísmo e levando pelo final do século I, à definitiva ruptura com as estruturas judaicas, dispersas com a destruição de Jerusalém. A partir daí, a história do cristianismo foi pretexto para a grandeza e para a miséria: o sublime, a arte, o pluralismo da experiência cristã, os grandes místicos e santos, teólogos, mártires convivem com a institucionalização religiosa, com a cada vez maior complexidade teológica, litúrgica e sistémica, e também com as violências, inquisições, perseguições e cruzadas, feitas em seu nome. Não faltaram divisões e separações em grandes ramos — catolicismo, ortodoxia, protestantismo —, que ainda hoje permanecem o pecado maior. O desafio original, esse, brota ainda em múltiplas experiências de outras mulheres e homens que assumiram essa herança como tarefa.

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    dani ramos 🌙 picture
    dani ramos 🌙12/07/2021Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    muito bom para entendimento geral ou académico. engloba todos os assuntos relacionados de uma forma fácil e rápida. gostei de mais um ABCedário da Público.

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