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    Primeiras trovas burlescas (Poetas do Brasil #VI) - & outros poemas

    Luiz Gama

    Martins Fontes
    2000
    424 páginas
    14h 8m
    ISBN-10: 8533612249
    Português Brasileiro
    4.3
    9 avaliações
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    Em 1859, publica-se em São Paulo, a primeira edição das 'Primeiras Trovas Burlescas' de Getulino, pseudônimo de Luiz Gonzaga Pinto da Gama (1830-1882). Dois anos mais tarde, sairia no Rio de Janeiro a segunda e última edição de uma obra pouco lembrada na literatura brasileira, em que pese ser seu autor figura legendária das campanhas abolicionista e republicana. O descobrimento das Primeiras Trovas Burlescas deve-se em parte à raridade de uma obra hoje apenas acessível em bibliotecas e através de edições póstumas recheadas de lacunas e deformações ocasionadas pela falta de cotejo com os originais. A fim de que se possa contemplar toda a obra poética de Luiz Gama, estão incluídos aqui os poemas publicados na imprensa paulistana de 1864 em diante. Edição preparada por Ligia Fonseca Ferreira.

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    Pablo Pax30/07/2022Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Primeiras trovas burlescas

    Luiz Gama (1830-1882), como já disse alguém, teve uma biografia digna de novela, e novela das nove, acrescentaria eu. (Não à toa, o já clássico romance épico 'Um defeito de cor' de Ana Maria Gonçalves, retrata a história da mãe dele em busca do filho perdido, vendido pelo próprio pai). Abolicionista, liberal, republicano, polemista, e por tudo o que fez, o que foi e produziu nas circunstâncias históricas em que viveu, não é exagero considerá-lo um gênio. Muita coisa foi descoberta recentemente (suas Obras Completas estão sendo publicadas pela editora Hedra), mas suas 'Primeiras Trovas Burlescas' já tinham sido levadas em conta por Silvio Romero na sua 'História da literatura brasileira' como de grande qualidade. Acho que dois fatores ofuscam a análise e a apreciação de suas trovas: o primeiro é sua própria biografia digna de novela, um daqueles casos em que o interesse, às vezes até mórbido, pelo biografado fica além do que ele produziu; o segundo é o pouco interesse pelo gênero da sátira entre os escritores e críticos brasileiros porquanto não há dúvidas de que Gama é um grande sátiro, na esteira de Gregório de Matos. É impressionante como ele, apear de todas as dificuldades, nunca deixou de tirar sarro dos poderosos, dos modismos e até de si mesmo. Infelizmente, é comum confundirmos o pouco interesse numa coisa como se essa coisa, em si mesma, fosse de pouco valor, e aqui a coisa de que falo é a sátira, gênero que sempre admirei. Como o autor já está em domínio público, há muitas edições por aí, mas recomendo essa coleção 'Poetas do Brasil', da Martins Fontes porque é uma das melhores do mercado editorial brasileiro. As obras contemplam um estudo introdutório (de quase 100 páginas!) de especialistas e uma documentação iconográfica únicos. O livro vale o preço pedido.

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    Luiz Gonzaga Pinto da Gama profile picture

    Luiz Gonzaga Pinto da Gama

    Luiz Gonzaga Pinto da Gama foi um rábula, orador, jornalista, escritor brasileiro e o Patrono da Abolição da Escravidão do Brasil. Nascido de mãe negra livre e pai branco, foi contudo feito escravo aos 10, e permaneceu analfabeto até os 17 anos de idade. Conquistou judicialmente a própria liberdade e passou a atuar na advocacia em prol dos cativos, sendo já aos 29 anos autor consagrado e considerado "o maior abolicionista do Brasil". Apesar de considerado um dos expoentes do romantismo, obras como a "Apresentação da Poesia Brasileira", de Manuel Bandeira, sequer mencionam seu nome. Teve uma vida tão ímpar que é difícil encontrar, entre seus biógrafos, algum que não se torne passional ao retratá-lo — sendo ele próprio também carregado de paixão, emotivo e ainda cativante. A despeito disto o historiador Boris Fausto declarou que era dono de uma "biografia de novela". Foi um dos raros intelectuais negros no Brasil escravocrata do século XIX, o único autodidata e o único a ter passado pela experiência do cativeiro; pautou sua vida na defesa da liberdade e da república, ativo opositor da monarquia, veio a morrer seis anos antes de ver seus sonhos concretizados.

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    Bahia, Brasil

    Luiz Gonzaga Pinto da Gama