Livro essencial para compreender ideias fundamentais de Bourdieu. Como se trata de uma coletânea de palestras, a explanação do sociólogo se torna mais clara. Aqui, ele explica os seus conceitos de campo e habitus, defendendo-os como conceitos universais e que se é possível adaptá-los a cada sociedade. A obra aborda questões como a legitimidade do Estado, poucas vezes questionada, aceita como natural; o papel da família na manutenção e reprodução de bens simbólicos, assim como trata de campos específicos, notadamente o cultural, artístico, intelectual e religioso. O fio conduto, ao meu ver, é a autonomia dos campos, com seus capitais próprios. Não se pode utilizar a régua econômica para lidar com outros campos, os quais muitas vezes são indiferentes ao capital econômico ou o tem como algo negativo. Bourdieu também é contra a percepção de que os atos são calculados para se obter determinado capital num campo. Na prática, os membros agem quase que naturalmente, através do habitus próprio da sua posição no espaço social. O sistema de códigos em que o indivíduo está inserido e é educado nele o coloca num circuito de reconhecimento de capital simbólico de tal forma inerente à sua prática que, muitas vezes o que é algo grandioso para um espectador, para o agente parecia ser a única coisa a se fazer.

