Também guardamos pedras aqui -

    Luiza Romão

    Nós
    2021
    64 páginas
    2h 8m
    ISBN-13: 9786586135350
    Português Brasileiro

    As pedras de Luiza Romão têm a ver menos com as pedras no bolso de Virginia Woolf, e mais a ver com as pedras jogadas pelos palestinos em Sheikh Jarrah: um ato ao mesmo tempo concreto e simbólico, de autodefesa e resistência ao neocolonialismo. As pedras de Luiza têm mais a ver com a pedra de Drummond, a de João Cabral, a pedra das canções de protesto do Clã Nordestino, de Nina Simone, de Pete Seeger, de Barbara Dane e de Selda Bağcan. Com Também guardamos pedras aqui, Luiza Romão consegue inserir momentos de afago e restauro existencial, sem perder uma perspectiva crítica. Isso, em 2021, é tudo que a gente quer: seguir nos aperfeiçoando, nos aprimorando, como seres humanos e sujeitos políticos, e ao mesmo tempo sentir um pouco de prazer, um pouco de alívio, que carreguem nossas de baterias, para que possamos voltar à realidade, prontas para a luta. Um livro para ir redescobrindo, à medida que ele passa. Não tenho a menor dúvida disso. Adelaide Ivánova

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    ian. 09/10/2023Resenhou um livro
    2 (Razoável)

    Jaz no ser; jaz na paz; jaz no amor; jaz em tu. O que dissestes tu? O que dissestes tu... dizia a mim, dizia a ti.

    Aqui estou mais uma vez para falar que tenho um certo preconceito para com a poesia em verso livre. Acredito que poucos poetas conseguem dominar esse estilo e manter-se coeso, ao mesmo tempo, conseguindo fazer-se entender, apesar da balbúrdia que é a poesia em verso livre. Esse livro é tudo isso: uma bagunça de palavras nas quais a autora não consegue repassar a mensagem que ela idealizou ao escrever esses poemas. É uma sátira às questões políticas atuais, utilizando um quadro marcante da literatura como base para a sua crítica? É uma abordagem para analisar um conteúdo que veio a se tornar literatura? Ou uma mistura dos dois? Cheguei a assistir uma entrevista com a autora, só para tentar entender a cabeça dela. Não ironicamente, o tema da entrevista era "um acerto de contas com Homero". Me parece, pelo menos foi o que ficou entendido, que esses poemas são uma releitura de "Ilíada" em textos contemporâneos. Então tá. Parece que a autora quis usar a violência, as questões políticas, toda a estrutura épica de "Ilíada" (uma obra escrita no século IX a.C.) e fazer uma interposição com a realidade atual. É uma ideia interessante. Porém, ela não é clara na mensagem que ela quer passar, o que faz o leitor ficar com cara de bunda olhando para um amontoado de palavras sem sentido. P0RR@! Eu li "Odisseia" e nem de longe foi tão incompreensível quanto essas 64 páginas. Quero destacar uma coisa: "Ilíada" foi escrito em uma realidade totalmente diferente da nossa, acho que pegar essa obra e ler tentando comparar com a REALIDADE contemporânea é um tanto injusto, e não vai trazer nenhuma reparação histórica. Sem falar que existe tantos outros documentos históricos na literatura mil vezes piores que a situação narrada em "Ilíada", como "O martelo das Feiticeiras" que, diferente de "Ilíada", não é ficção. Enfim, quero terminar falando que gente que escreve poesia em verso livre quer passar uma vibe de conceituda (essa é a minha opinião, pelo menos). Às vezes são só uns versos sem eiras nem beiras que ninguém entende nada (todo respeito a quem escreve verso livre, beijinhos).

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