Elas escrevem - Antologia de contos tchecos contemporâneos escritos por mulheres

    Anna Zemančíková, Anna Zonová, Hana Andronikova, Hana Lundiaková, Hana Pachtová, Irena Dousková, Irena Šťastná , Iva Pekárková, Kateřina Kováčová, Kateřina Sidonová, Kateřina Tučková, Magdalena Wagnerová, Markéta Hejkalová, Nataša Reimanová, Petra Procházková, Radka Denemarková, Svatava Antošová, Sylva Fischerová, Věra Chase, Věra Nosková

    Thesaurus Editora de Brasília
    2010
    284 páginas
    9h 28m
    ISBN-13: 9788570629968
    Português Brasileiro

    Vinte textos mais ou menos épicos, escritos a caneta (hoje, melhor dizendo, no computador) por escritoras tchecas, algumas com obra publicada e outras ainda inéditas; vinte textos escritos, salvo uma exceção: ‘‘Minha vida são os meus amantes’’, já no início do terceiro milênio — trata-se de uma amostra representativa e, ao mesmo tempo, um mais que importante cenário de estilos, gêneros e temas da literatura tcheca contemporânea. Em grande parte são autoras que ingressaram no contexto da ficção tcheca justamente depois do ano de 2000; os seus textos, na antologia aqui apresentada, são, porém, temperados com destreza por estórias criadas por escritoras experientes que escrevem há mais tempo e que, já no final dos anos 1980, publicaram no exílio.

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    Henrique Luiz Fendrich12/07/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Depois de ter lido os 20 contos desse livro, fiz uma listinha de palavras-chaves de cada um para ver se conseguiria perceber alguma tendência temática. O resultado foi interessante, pois as três principais palavras-chaves foram "Busca de si mesma", "Relacionamentos de mãe e filha" e "Relacionamentos amorosos". Nessa perspectiva, o livro é realmente "contemporâneo", pois os contos (quase todos do século 21) expressam muito do "espírito da época" em nossas relações. A "busca de si mesma" é cada vez mais um desafio em um mundo que perdeu os seus referenciais e possivelmente seja ainda marcante para a mulher que, finalmente, depois de milênios de submissão, começa a vislumbrar a possibilidade de construir o seu caminho. Esse processo influencia também os "relacionamentos amorosos", pois há também um modo de amar que é típico de nossa época, sem mais a obrigação moral de durar até a eternidade, mas ainda assim desejando que dure o máximo possível. Os homens, ah, bem sabemos, os homens geralmente demonstram não estar à altura dessas mudanças. Esse mundo, mais desorientado, certamente impacta também o fruto desses relacionamentos, ou seja, os filhos (e, no caso do livro, preferencialmente as filhas). Há uma relação mais distanciada em relação aos país, que possivelmente representam as tradições que são implodidas pelo tempo presente, mas também não há muita certeza sobre como se comportar em relação às filhas, porque a própria mãe ainda está em busca de si mesma. Um ótimo conto que reúne, sozinho, essas três palavras-chaves é "Quando cai um botão", de Kateřina Sidonová. A busca visceral de si mesma é melhor expressada em "Chamado dos ossos", de Hana Androniková", de feitio surrealista. Os relacionamentos amorosos contemporâneos marcam contos como "Mirante de Goethe, Capela do Diabo", de Alena Zemančíková, e "A vida nem sempre dá presentes", de Markéta Hejkalová. O relacionamento mãe-filha é especialmente visível em "Os nomes deixo na Europa", de Hana Pachtová, conto que é também sobre a busca de si mesma, mas também de forma absolutamente crua, pornográfica e psicanalítica em "Não conta pra mamãe", de Svatava Antošová, de forma melancólica e desoladora em "A última noite" (Kateřina Tučková), de forma espantosamente trágica em "Minha vida são os meus amantes" (Věra Chase). Falo em "mãe", mas também a relação com o "pai" importa nesses contos. Eventualmente, até com um avô, como em "Sãosetedamanhã!Levanta", de Iva Pekárková. Aliás, esse conto mostra outra palavra-chave importante do livro, o encontro de culturas. Nesse caso, é a nigeriana com a alemã, como havia sido a queniana com a tcheca no conto de Pachtová e como seria, de modo muito explícito, a afegã com a tcheca no brilhante "A mulher dos correios e a selvagem", de Petra Procházková. Ao contrário de grande parte da literatura tcheca exportada ao longo do século 20, a desse livro apenas eventualmente aborda situações associadas à Segunda Guerra Mundial e ao regime comunista (mas, nesse último caso, o faz otimamente em "Infortúnio", de Irena Dousková). Há ainda um conto com um quê kafkiano ("Os bebedores de ovos", de Hana Lundiaková), um em que a busca de si mesma é associada ao trabalho ("Mendigante", de Kateřina Kováčová), e mais alguns outros, além de três contos que, lamentavelmente, não são contos, são enxertos tirados de romances, pecado mortal que acaba com os "contos". Meus contos favoritos: "A mulher dos correios e a selvagem" (Petra Procházková) "A última noite" (Kateřina Tučková) "Sãosetedamanhã!Levanta" (Iva Pekárková) "Infortúnio" (Irena Dousková) "Quando cai um botão" (Kateřina Sidonová) "Os nomes deixo na Europa" (Hana Pachtová)

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