O livro Celular (Cell) foi publicado em 2006 ganhando uma adaptação para o cinema em 2016. É um romance apocalíptico onde o terrorismo digital usa a tecnologia para extirpar da mente das pessoas qualquer traço de humanidade tornando-as seres violentos e destrutivos.
O contexto do apocalipse de Celular lembra muito os filmes de George A. Romero e, em alguns trechos, Madrugada dos Mortos é literalmente citado mostrando a semelhança entre a horda de Fonáticos de King e a horda zumbi do diretor. O autor também usa o livro para homenagear tanto Richard Matheson quanto George A. Romero e seus zumbis.
Os personagens; Clay, Tom e Alice, todos estranhos uns para os outros, sobreviveram a primeira onda de destruição e tentam, a todo custo, deixar Boston para fugir dos lunáticos e suicidas seguindo para o norte em direção ao Maine para que Clay também possa, tentar, encontrar sua família.
Como a maioria dos protagonistas de King o trio nos conquista assim que nos são apresentados, nos fazendo torcer por eles e sofrer com eles durante toda a narrativa, tornando a leitura intensa e causando um grande temor de que o final reserve dor e lágrimas pelo destino de nosso querido trio de personagens.
O que começou como um apocalipse, que já vimos várias e várias vezes na literatura e na cultura pop, com pessoas não contaminadas tentando fugir da horda violenta, escalonou muito rápido para algo maior e mais aterrorizante com um clima de suspense e terror constante que garante que qualquer coisa poderá acontecer: e o que acontece não é nada do que comumente se espera nesse tipo de leitura.
King consegue com esse livro fazer uma crítica social e, talvez, comportamental tentando mostrar o perigo da dependência que desenvolvemos desses aparelhos peculiares que estão conosco em todos os lugares nos conectando não apenas com quem conhecemos, mas também com o mundo inteiro.
A escrita cativante e descritiva de King sempre consegue nos transportar para vivenciar todo o terror e suspense que ele cria tornando a leitura pujante e aterrorizante com uma intensidade que nos obriga a devorar as páginas prendendo a respiração e sentindo o mesmo medo e a urgência que seus personagens.
Essa é uma história que começamos achando que sabemos aonde vai nos levar, mas que consegue nos surpreender completamente ao subverter os zumbis que conhecemos tão bem. Recomendo para todos.