Pela primeira vez no Brasil, todos os contos do autor argentino, reunidos em dois volumes com capa dura, numa caixa com projeto gráfico especial. "A verdadeira revolução de Cortázar está nos contos. Neles, Cortázar não experimentou: ele encontrou, descobriu, criou algo que não perece", anotou o escritor Mario Vargas Llosa. Com novas traduções de Heloisa Jahn e Josely Vianna Baptista, uma edição com os contos completos de Julio Cortázar chega pela primeira vez ao leitor brasileiro. Considerado um dos autores mais inventivos do século XX, Cortázar modificou para sempre o gênero e escreveu clássicos como Casa tomada, A autoestrada do sul, Carta a uma senhorita em Paris, Continuidade dos parques, As babas do diabo, A ilha ao meio-dia, entre muitos outros. Esta edição de Todos os contos, em dois volumes com capa dura e mais de 1100 páginas, vem numa caixa com projeto especial de Elaine Ramos. Bestiário, Todos os fogos o fogo, As armas secretas, Octaedro, Fim do jogo, Histórias de cronópios e de famas, todos os livros fundamentais de Cortázar estão aqui. A edição conta ainda com os dois célebres ensaios do autor sobre a escrita de contos, Alguns aspectos do conto, de 1963, e Do conto breve e seus arredores, de 1969, além de um estudo do crítico argentino Jaime Alazraki sobre o Cortázar contista. "Em Cortázar, o conto é entendido como uma totalidade orgânica, uma narrativa de economia rigorosa, uma estrutura em tensão, limitada quanto ao tempo e quanto ao espaço, na qual todos os elementos devem estar, necessariamente, em função do efeito unitário do conjunto." – Davi Arrigucci Jr.
Todos os contos - [eBook]
Julio Cortázar
O Experimentalismo Cortazariano
Com o Selo das Companhia das Letras, “Todos Os Contos”, do argentino Julio Cortázar, é um dos lançamentos mais aguardados de 2021 pela importância do escritor no panorama literário latino-americano assim como para a literatura fantástica ou como ele preferia definir: “Quase todos os contos que escrevi pertencem ao gênero chamado fantástico por falta de um nome melhor.” Contudo, hoje em dia, esse nome já foi encontrado, suas narrativas breves são designados neofantásticos, pois “não pretendem brincar com os medos do leitor”. Tornando mais claro, “o fantástico puro, o fantástico do qual nascem os melhores contos, poucas vezes está centrado na alegria, no humor, nas coisas positivas. O fantástico é negativo, se aproxima sempre do terrível, do assustador. Daí vem o romance “gótico”, com suas correntes, seus fantasmas etc. Também daí vem Edgar Allan Poe, que é o verdadeiro inventor do conto fantástico moderno, sempre horrível, igualmente. …O fantástico está centrado no lado noturno do homem, e não no seu lado diurno.” (Página 1057) Resumidamente, estes contos se resumem a a dois livros que acumulam pouco mais de 2 quilos de papel impresso, 1086 páginas, 4950 KB, isto é, 27 horas e 20 minutos de leitura. Números grandiosos que mereceram uma edição em capa dura, de qualidade irretocável, o que pude comprovar pouco após a chegada às livrarias, em junho, mas decidi não adquirir o box pelo preço, R$269,90, que considerei caro. Resolvi aguardar uns meses e para minha surpresa, encontrei “Todos Os Contos” em promoção na Amazon em agosto. Comprei por apenas R$24,46 o box no formato e-book, não só por ser mais econômico, como também ele é ideal para leitura de calhamaços, inclusive, permitindo rápido trânsito entre as narrativas. Com boas traduções de Heloísa Jahn (1945 a 1966) e de Josely Viana Baptista (1969 a 1982), os contos de Cortázar foram distribuídos em 14 livros publicados pelo autor: Volume I * A Outra Margem (1945) * Bestiário (1951) * Fim Do Jogo (1956) * As Armas Secretas (1959) * Historias De Cronópios E De Famas (1959) * Todos os Fogo O Fogo (1966) * Historias (Inesperadas) I Volume II * Último Round (1969) * Octaedro (1974) * Alguém Que Anda Por Aí * Um Tal De Lucas * Amamos Tanto A Glenda (1980) * Fora De Hora (1982) * Historias (Inesperadas) II Outros destaques da edição são o projeto gráfico, a cargo de Elaine Ramos, e a Fortuna Crítica formada por dois textos do escritor, “Alguns Aspectos Do Conto” e “Do Conto Breve E Seus Arredores”, e outro de Jaime Alazraki, intitulado “Conto: Introdução”. Idealmente, eles devem ser lidos ao final da leitura ou até você ter uma ideia do que se trata o experimentalismo cortazariano, ou melhor, de como ele coloca coisas absurdas numa situação normal, fazendo como um trançado no meio da realidade que a altera. O conto dispara o leitor para um outro patamar, diferente do trivial de onde ele partiu”*, pois como assevera o autor: “um romance sempre ganha do leitor por pontos, enquanto o conto ganha por nocaute”. (Heloísa Jahn, Folha de SP, 25/6/2021) Finalmente, caso não leia todos os contos, ao menos não deixe para os três os três mais emblemáticos da obra do autor: * “A Casa Tomada” - Inspirado em “A Queda Da Casa De Usher” de Edgar Allan Poe, retrata a rotina de dois irmãos numa casa subitamente invadida por fenômenos inexplicáveis e destituídos de razão. * “As Babas Do Diabo” - Uma narrativa sofisticada cuja temática – a dicotomia entre o que é e aquilo que aparenta ser – foi aproveitada por Michelangelo Antonioni no filme “Blow-Up”. * “A Autoestrada Do Sul” – Um engarrafamento na França prolonga-se por dias, semanas, trazendo consequências inesperadas. Entretanto, meus contos preferidos não são esses. Se quiser conhecê-los, são: * “A Continuidade Dos Parques” - Em duas únicas páginas, o autor emaranha a personagem de um romance e quem o lê. * “Bestiário” - A narrativa intitula o primeiro livro de contos de Cortázar. Um tigre convive com uma família sem grandes transtornos. A bem da verdade, o único cuidado dos moradores é mantê-lo à distância. Surpreenda-se! (*) Heloísa Jahn, Folha de SP, 25/6/2021
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