Fui atraído por essa que é considerada a obra-prima de Ford Madox Ford e uma precursora do modernismo inglês ao saber que Anthony Burgess, um de meus autores favoritos, a chamou de uma das peças verdadeiramente importantes da literatura do século XX.
Imbuído desse espírito de aprendiz, engajei nessa leitura repleta de idas e vindas no tempo e, principalmente, muitos enganos e disfarces. É nítido que o romance é minuciosamente construído, o que torna ainda mais impressionantes as falhas de julgamento e outros equívocos cometidos pelo personagem-narrador. Fiquei com uma leve sensação de heresia ao me deparar com alguns erros intencionais com que Madox pontua sua narrativa. Nunca havia aventado tal possibilidade em meus próprios escritos, e me causou grande deleite perceber como fiquei chocado com essa audácia em uma obra publicada há mais de cem anos!
Dito isso, apesar de ter admirado a fluência da escrita de Ford Madox Ford, achei a trama beirando as fronteiras da inverossimilhança. Não descarto a possibilidade de reler o livro no futuro, para descobrir como reagirei a ele depois de caminhar mais um pouco. Ou seja, mesmo sem ter gostado tanto, fiquei exultante pelo contato tal Literatura de primeira grandeza.
E no entanto eu acredito que para cada homem surge por fim uma mulher ou não, esta é a maneira errada de formular. Para cada homem surge por fim uma época da vida em que a mulher que colocou seu selo sobre sua imaginação, coloca esse selo para sempre. Ele não irá mais viajar para além de nenhum outro horizonte, nunca mais irá por a mochila sobre os ombros; irá se retirar desses cenários. Irá sair do negócio.
(...) acho que é a vaidade que nos mantém firmes, se é que seguimos firmes, neste mundo.
Florence era uma personalidade de papel (...) ela representava um ser humano com coração, sentimentos, simpatias e emoções tão-somente na medida em que uma cédula representa uma certa quantidade de ouro.
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