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    Jesus Cristo e mitologia -

    Rudolf Bultmann

    Fonte Editorial
    2003
    80 páginas
    2h 40m
    ISBN-13: 9788586671111
    Português Brasileiro
    3.8
    24 avaliações
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    Este livro Jesus Cristo e Mitologia do autor Rudolf Bultman, é um dos livros mais influentes do autor. O marco da teologia do século XX, e o pensamento cristão é muitas vezes dividido em pré e pós bultmanniano. A crítica bíblica de Bultmann deve ser encarada com a maior seriedade. Aqui encontramos o pensamento bultmanniano em um estado formativo, o que pode ser uma vantagem na análise dos aspectos básicos da estruturação do seu raciocínio. Muito se posicionam contra ou a favor de Bultmann sem, de fato, conhecerem suas obras. Porém é muito fácil lidar com caricaturas, mas todo estudo sério do pensamento de um autor deve ser calcado em uma análise das fontes primárias. É lendo o texto de Rudolf Bultmann que podemos conhecer e entender seu pensamento.

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    Everton Gonçalves picture
    Everton Gonçalves24/05/2024Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    Rudolf Bultmann, 1884-1976. Formado no clima da teologia liberal. Adere em 1922 ao movimento da teologia dialética (Barth, Gogarten) e a partir de 1941 com o tema da “demitização” vai elaborando uma teologia existencial, com elementos heideggerianos. Do período dialético (1925-1928): O problema de uma exegese teológica do novo testamento; O significado da teologia dialética para a ciência neotestamentária; Jesus. Pouco a pouco Bultmann elabora os princípios metodológicos que serão claramente enunciados no Manifesto da demitização de 1941. Manifesto da demitização - passa por 4 redações ao longo de 20 anos: Conferência: Novo Testamento e Mitologia 1941 Ensaio: A respeito da demitização 1952 Conferências: Jesus Cristo e a mitologia 1958 (a conferência aconteceu em 1951, mas o escrito só foi publicado em 1958) Ensaio: A respeito do problema da demitização 1961 O Manifesto é um texto programático, no qual confluem o Bultmann biblista, que se interroga sobre o que diz realmente o Novo Testamento, e o Bultmann teólogo, que se interroga sobre o que o Novo Testamento tem a dizer ao homem de hoje. Está convencido de que todo o discurso neotestamentário é mitológico e não pode ser proposto ao homem de hoje. Para que o anúncio do Novo Testamento conserve uma validade própria não há outra saída senão demitizá-lo. A Demitização tem 2 tarefas: crítica e esclarecimento. Ambas se entrelaçam numa tarefa hermenêutica. Demitizar significa precisamente dar uma interpretação antropológica ou antes existencial dos enunciados do Novo Testamento tornando evidente, para além de toda a representação figurativa mítica, a palavra escatológica, quer dizer, decisiva e definitiva, que Deus pronuncia em Cristo e captar assim a incomparável possibilidade de existência autêntica que eles contêm para o homem, inclusive para o homem de hoje. A crítica acusou Bultmann de demitizar o que não é permitido demitizar, isto é, os fatos da história, de comprometer a compreensão da mensagem neotestamentária por causa de uma pré-compreensão de cunho heideggeriano. Para Bultmann, a teologia fala de Deus, na medida em que Deus tem a ver com o homem. Mas, como falar do homem? Aqui entra a relação com a filosofia, e ele vai se utilizar da analítica existencial de Heidegger Homem é visto como existência, como historicidade, como abertura para o futuro. Bultmann estabelece um corte entre o Jesus histórico e o Cristo da Fé, que pode ser consequente com a lógica de sua interpretação existencial, mas não pode estar conforme o relato do Novo Testamento. Nesta pequena obra é possível identificar estes elementos acima citados. O autor afirma: “A desmitologização é a aplicação radical da doutrina da justificação pela fé no âmbito do conhecimento e do pensamento. Como a doutrina da justificação, a desmitologização destrói todo o desejo de segurança. Não existe nenhuma diferença entre a segurança que descansa nas boas obras e a segurança construída sobre o conhecimento objetivante. O homem que deseja crer em Deus deve saber que não dispõe absolutamente de nada sobre o qual possa construir sua fé e que, por assim dizer, se encontra suspenso no vazio. Quem abandona toda forma de segurança, encontrará a verdadeira seguridade. Diante de Deus o homem tem sempre as mãos vazias. Só quem abandona, quem perde toda a segurança encontrará a seguridade.” Bultmann foi muito criticado, mas marcou definitivamente uma nova maneira de pensar a teologia. Por isso é tão importante até hoje, e vale a pena tomar conhecimento de seus escritos e pensamento.

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