Rudolf Bultmann, 1884-1976. Formado no clima da teologia liberal. Adere em 1922 ao movimento da teologia dialética (Barth, Gogarten) e a partir de 1941 com o tema da demitização vai elaborando uma teologia existencial, com elementos heideggerianos.
Do período dialético (1925-1928): O problema de uma exegese teológica do novo testamento; O significado da teologia dialética para a ciência neotestamentária; Jesus. Pouco a pouco Bultmann elabora os princípios metodológicos que serão claramente enunciados no Manifesto da demitização de 1941.
Manifesto da demitização - passa por 4 redações ao longo de 20 anos:
Conferência: Novo Testamento e Mitologia 1941
Ensaio: A respeito da demitização 1952
Conferências: Jesus Cristo e a mitologia 1958 (a conferência aconteceu em 1951, mas o escrito só foi publicado em 1958)
Ensaio: A respeito do problema da demitização 1961
O Manifesto é um texto programático, no qual confluem o Bultmann biblista, que se interroga sobre o que diz realmente o Novo Testamento, e o Bultmann teólogo, que se interroga sobre o que o Novo Testamento tem a dizer ao homem de hoje.
Está convencido de que todo o discurso neotestamentário é mitológico e não pode ser proposto ao homem de hoje. Para que o anúncio do Novo Testamento conserve uma validade própria não há outra saída senão demitizá-lo.
A Demitização tem 2 tarefas: crítica e esclarecimento. Ambas se entrelaçam numa tarefa hermenêutica.
Demitizar significa precisamente dar uma interpretação antropológica ou antes existencial dos enunciados do Novo Testamento tornando evidente, para além de toda a representação figurativa mítica, a palavra escatológica, quer dizer, decisiva e definitiva, que Deus pronuncia em Cristo e captar assim a incomparável possibilidade de existência autêntica que eles contêm para o homem, inclusive para o homem de hoje.
A crítica acusou Bultmann de demitizar o que não é permitido demitizar, isto é, os fatos da história, de comprometer a compreensão da mensagem neotestamentária por causa de uma pré-compreensão de cunho heideggeriano.
Para Bultmann, a teologia fala de Deus, na medida em que Deus tem a ver com o homem. Mas, como falar do homem? Aqui entra a relação com a filosofia, e ele vai se utilizar da analítica existencial de Heidegger
Homem é visto como existência, como historicidade, como abertura para o futuro.
Bultmann estabelece um corte entre o Jesus histórico e o Cristo da Fé, que pode ser consequente com a lógica de sua interpretação existencial, mas não pode estar conforme o relato do Novo Testamento.
Nesta pequena obra é possível identificar estes elementos acima citados.
O autor afirma:
A desmitologização é a aplicação radical da doutrina da justificação pela fé no âmbito do conhecimento e do pensamento. Como a doutrina da justificação, a desmitologização destrói todo o desejo de segurança. Não existe nenhuma diferença entre a segurança que descansa nas boas obras e a segurança construída sobre o conhecimento objetivante. O homem que deseja crer em Deus deve saber que não dispõe absolutamente de nada sobre o qual possa construir sua fé e que, por assim dizer, se encontra suspenso no vazio. Quem abandona toda forma de segurança, encontrará a verdadeira seguridade. Diante de Deus o homem tem sempre as mãos vazias. Só quem abandona, quem perde toda a segurança encontrará a seguridade.
Bultmann foi muito criticado, mas marcou definitivamente uma nova maneira de pensar a teologia. Por isso é tão importante até hoje, e vale a pena tomar conhecimento de seus escritos e pensamento.