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    Não é um rio -

    Selva Almada

    Todavia
    2021
    96 páginas
    3h 12m
    ISBN-13: 9786556921761
    Português Brasileiro
    3.8
    376 avaliações
    Leram476Lendo5Querem606Relendo1Abandonos7Resenhas68
    Favoritos12Desejados606Avaliaram376

    Um enredo em que a amizade, o passado e o desconhecido forjam o destino dos personagens. Com sua prosa precisa e econômica, a argentina Selva Almada é uma das vozes mais originais da literatura de língua espanhola contemporânea. Seu ambiente é o mundo interiorano, onde vilarejos quase esquecidos no mapa abundam em histórias em que a violência, os laços familiares e velhos costumes ainda são decisivos. É o caso deste novo romance, que trata da amizade e seus segredos. Durante uma pescaria entre três homens, a complexidade com que se forjam os afetos é revelada como o próprio curso de um rio. Enero Rey e Negro levam Tilo, o filho adolescente de Eusébio, para pescar. Enquanto bebem vinho, cozinham, falam e dançam, eles lutam com os fantasmas do passado e do presente.

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    Rodrigo Pamplona picture
    Rodrigo Pamplona15/07/2024Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    A resenha do "É" (Sem Spoilers)

    Título: Não é um Rio Título original: No es un Río Autora: Selva Almada Editora: Todavia Número de páginas: 96 Lido em um fôlego só, "Não é um Rio" é um livro da escritora argentina Selva Almada, publicado originalmente em 2020 e finalista do Man Booker Prize de 2024. A obra é caracterizada por sua prosa poética, etérea, e pelo foco em personagens e cenários intimamente ligados ao campo e às margens de um rio. Além do rio, a propósito, a paisagem circundante também aparece como um elemento central na narrativa, proporcionando um pano de fundo lírico e meditativo que reflete as emoções e os dilemas dos personagens. É um livro gracioso. As relações interpessoais são exploradas em profundidade, revelando as tensões, os afetos e as dificuldades inerentes a essas conexões. O livro lida com a influência do passado sobre o presente, mostrando como as memórias moldam a vida de todos. É um livro profundo. A narrativa explora o equilíbrio entre solidão e comunhão, destacando a maneira pela qual os personagens lidam com suas próprias emoções enquanto buscam conexão uns com os outros. A escrita é poética, limpa e evocativa, combinando uma atenção minuciosa aos detalhes da paisagem com uma profunda exploração psicológica. Tudo é lírico, airado e vaporoso. É um livro elegante. Com frases curtas e palavras bem escolhidas, a estrutura narrativa é minimalista - o livro é esculpido de forma introspectiva, com um ritmo que permite ao leitor mergulhar em profundidade na psique dos personagens e na atmosfera do cenário. É um livro imersivo. Da metade em diante, a autora adiciona uma pitada de realismo mágico - uma colherzinha só - que altera o status quo do que está sendo contado. Aqui a autora conclama o leitor a prestar atenção máxima, ao passo que rugas de estranheza surgem em sua testa. É um livro que aguça a curiosidade. O rio do título se torna um dos personagens, adicionando simbolismo e poesia ao enredo. O livro vai muito além da superfície e convida o leitor a explorar temas profundos e universais através de uma narrativa ainda mais intimista e comovente. É um drama sublime. Gosto de livros que aguçam a imaginação, que sugerem interpretações sem cravá-las em pedra. Aqui, o entendimento conta com a colaboração do leitor. Identifiquei pelo menos duas camadas por baixo do que está sendo contado. O rio seria uma espécie de purgatório? Um limbo? Um lugar de transição? Me peguei rememorando os sentimentos que tive quando li o mais-que-fantástico "Pedro Páramo", de Ruan Rulfo. Uma junção de curiosidade, dúvida e transcendência. É um livro que brinca com metáforas. Terminei a leitura encantado, absorto e ligeiramente em transe. Busquei aprofundar minha interpretação e, confesso, foi um exercício dos mais gostosos! Neste livrinho enxuto e tenso, Almada me levou ao coração da Argentina rural e me revelou os preconceitos, as vinganças e os acertos de contas que caracterizam a sua obra literária. Me levou, por fim, para dentro de mim. E eu gostei. Gostei muito! É um livro que você deveria ler, definitivamente. Leva 4 de 5 estrelas.

    29 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.8 / 376
    • 5 estrelas15%
    • 4 estrelas46%
    • 3 estrelas34%
    • 2 estrelas5%
    • 1 estrelas1%
    Selva Almada profile picture

    Selva Almada

    Considerada uma das vozes mais poderosas da literatura argentina e uma das mais promissoras da ficção latino-americana, publicou seus primeiros contos na revista Análisis, de Paraná. De 1997 a 1998 dirigiu a revista CAelum Blue. Recebeu rasgados elogios com seu primeiro romance, El viento que arrasa (2012), considerado o melhor livro do ano no momento da publicação, e foi finalista do Prémio Tigre Juan (Espanha) com o romance Ladrilleros (2013). É ainda autora de um livro de poesia e dos livros de contos Niños (2005), Una chica de provincia (2007) e El desapego es una manera de querernos (2015). Garotas Mortas (2014), o seu romance não ficção, foi finalista do Prémio Rodolfo Walsh, da Semana Negra de Gijón (Espanha), para a melhor obra de não ficção de género negro. A sua obra encontra-se traduzida para português, francês, italiano, alemão, holandês, sueco e turco. Co-dirige o ciclo de leituras Carne Argentina e coordena oficinas de escrita em Buenos Aires e no interior do país.

    14 Livros
    19 Seguidores

    Selva Almada