Título: Não é um Rio
Título original: No es un Río
Autora: Selva Almada
Editora: Todavia
Número de páginas: 96
Lido em um fôlego só, "Não é um Rio" é um livro da escritora argentina Selva Almada, publicado originalmente em 2020 e finalista do Man Booker Prize de 2024. A obra é caracterizada por sua prosa poética, etérea, e pelo foco em personagens e cenários intimamente ligados ao campo e às margens de um rio.
Além do rio, a propósito, a paisagem circundante também aparece como um elemento central na narrativa, proporcionando um pano de fundo lírico e meditativo que reflete as emoções e os dilemas dos personagens.
É um livro gracioso.
As relações interpessoais são exploradas em profundidade, revelando as tensões, os afetos e as dificuldades inerentes a essas conexões. O livro lida com a influência do passado sobre o presente, mostrando como as memórias moldam a vida de todos.
É um livro profundo.
A narrativa explora o equilíbrio entre solidão e comunhão, destacando a maneira pela qual os personagens lidam com suas próprias emoções enquanto buscam conexão uns com os outros. A escrita é poética, limpa e evocativa, combinando uma atenção minuciosa aos detalhes da paisagem com uma profunda exploração psicológica. Tudo é lírico, airado e vaporoso.
É um livro elegante.
Com frases curtas e palavras bem escolhidas, a estrutura narrativa é minimalista - o livro é esculpido de forma introspectiva, com um ritmo que permite ao leitor mergulhar em profundidade na psique dos personagens e na atmosfera do cenário.
É um livro imersivo.
Da metade em diante, a autora adiciona uma pitada de realismo mágico - uma colherzinha só - que altera o status quo do que está sendo contado. Aqui a autora conclama o leitor a prestar atenção máxima, ao passo que rugas de estranheza surgem em sua testa.
É um livro que aguça a curiosidade.
O rio do título se torna um dos personagens, adicionando simbolismo e poesia ao enredo. O livro vai muito além da superfície e convida o leitor a explorar temas profundos e universais através de uma narrativa ainda mais intimista e comovente.
É um drama sublime.
Gosto de livros que aguçam a imaginação, que sugerem interpretações sem cravá-las em pedra. Aqui, o entendimento conta com a colaboração do leitor. Identifiquei pelo menos duas camadas por baixo do que está sendo contado. O rio seria uma espécie de purgatório? Um limbo? Um lugar de transição? Me peguei rememorando os sentimentos que tive quando li o mais-que-fantástico "Pedro Páramo", de Ruan Rulfo. Uma junção de curiosidade, dúvida e transcendência.
É um livro que brinca com metáforas.
Terminei a leitura encantado, absorto e ligeiramente em transe. Busquei aprofundar minha interpretação e, confesso, foi um exercício dos mais gostosos! Neste livrinho enxuto e tenso, Almada me levou ao coração da Argentina rural e me revelou os preconceitos, as vinganças e os acertos de contas que caracterizam a sua obra literária. Me levou, por fim, para dentro de mim. E eu gostei. Gostei muito!
É um livro que você deveria ler, definitivamente.
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