Que posso dizer eu ao começar essa resenha além de que este livro me decepcionou muito. Quando soube dos cinco livros da Philippa Gregory lançados aqui no Brasil sobre a dinastia Tudor, eu fiquei louca pra ler todos, claro, mas tinha uma preferência especial para ler este último (que não é o último da coleção, pois ainda existem mais dois livros não lançados no Brasil: The Other Queen e The Wise Woman).
Li todos os demais livros esperançosa de que este seria maravilhoso, pois desde que assisti aos filmes sobre a Rainha Elizabeth I tinha uma admiração grande por ela. Me pareceu, em ambos os filmes, uma grande Rainha: poderosa, independente e corajosa. Capaz de governar o país sozinha, apesar da época em que os homens acreditavam que as mulheres não eram capazes de nada sem um marido.
Não, nada disso. Pelo menos não no período descrito por Philippa neste livro. Já tinha começado a me decepcionar com Elizabeth no livro O Bobo da Rainha quando demonstrava tão pouco apreço por sua irmã Mary e tentava a todo custo tomar-lhe o trono. Ainda assim, esperava um livro de Elizabeth mostrando a grande mulher que era, a grande Rainha que governou por 45 anos um país até então desolado e o levou à glória. Ao invés disso, Philippa nos mostra a jovem rainha de apenas 25 anos no início de seu reinado dividida entre seus deveres ao país e sua paixão por Robert Dudley, um homem casado.
Outra decepção com este livro pra mim foi este tal Robert Dudley. Uma das personagens principais do livro e a quem odiei desde o início. Durante toda a narrativa a história pula da corte com Elizabeth para o interior do país e a história da pobre esposa de Dudley, Amy, cujo único pecado era amar incondicionalmente um homem sem caracter e capaz de qualquer coisa para alcançar seus objetivos. Fiquei totalmente penalizada pelos sofrimentos de Amy e odiava cada ato desonhoroso e cruel de Dudley.
E para piorar, a Rainha Elizabeth não tinha atitudes melhores para pelo menos salvar a narrativa e tornar a história um pouco interessante. O tempo todo ela se mostrou uma mulher fraca, amedrontada com o peso da coroa em sua cabeça e desesperada por ter um homem ao seu lado que tomasse todas as decisões por ela. Elizabeth conseguia me irritar a cada vez que Cecil, seu secretário e conselheiro mor, tentava lhe mostrar seus deveres como Rainha e ela lhe respondia dizendo que morria de medo e não podia se decidir. Não era, nem de longe, esse tipo de atitude que eu esperava da Rainha Elizabeth I. Tive ganas de entrar no livro e decidir por ela, mas o odioso Dudley estava lá para fazer isso por mim.
De qualquer forma, não poderia dar menos de quatro estrelas a este romance, porque apesar de tudo a narrativa de Philippa Gregory é excepcional e manteve a alta qualidade de seus livros. No final da história pelo menos Elizabeth toma uma atitude, mesmo que não direta, que me fez voltar a ter esperanças em relação a ela.
Talvez no próximo livro "The Other Queen", ela apareça como a grande Rainha que foi e faça juz aos elogios com as quais foi nomeada: Gloriana, a Boa Rainha, a Rainha Virgem (que de Virgem não tinha nada rs).