Todo dia a mesma noite - A história não contada da Boate Kiss (eBook)

    Daniela Arbex

    Intrínseca
    2018
    202 páginas
    6h 44m
    ISBN-10: B0786M71FM
    Português Brasileiro

    Reportagem definitiva sobre a tragédia que abateu a cidade de Santa Maria em 2013 relembra e homenageia os 242 mortos no incêndio da Boate Kiss. Daniela Arbex reafirma seu lugar como uma das jornalistas mais relevantes do país, veterana em reportagens de fôlego — premiada por duas vezes com o prêmio Jabuti — ao reconstituir de maneira sensível e inédita os eventos da madrugada de 27 de janeiro de 2013, quando a cidade de Santa Maria perdeu de uma só vez 242 vidas. Foram necessárias centenas de horas dos depoimentos de sobreviventes, familiares das vítimas, equipes de resgate e profissionais da área da saúde — ouvidos pela primeira vez neste livro —, para sentir e entender a verdadeira dimensão de uma tragédia sobre a qual já se pensava saber quase tudo. A autora construiu um memorial contra o esquecimento dessa noite tenebrosa, que nos transporta até o momento em que as pessoas se amontoaram nos banheiros da Kiss em busca de ar, ao ginásio onde pais foram buscar seus filhos mortos, aos hospitais onde se tentava desesperadamente salvar as vidas que se esvaíam. Foi também em busca dos que continuam vivos, dos dias seguintes, das consequências de descuidos banalizados por empresários, políticos e cidadãos. A leitura de Todo dia a mesma noite é uma dolorosa e necessária tomada de consciência, um despertar de empatia pelos jovens que tiveram seus futuros barbaramente arrancados. Enxergá-los vividamente no livro é um exercício que afasta qualquer apaziguamento que possamos sentir em relação ao crime, ainda impune.

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    Maurício Radaelli Paraboni30/01/2018Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Para não esquecer!

    Perdi meu primo naquele dia 27. O maior medo da minha tia é que meu primo seja esquecido, esquecido pela justiça, esquecido pelas pessoas, esquecido pelos amigos. Por isso digo que este é um livro importante. Minha primeira reação ao me apresentarem a obra foi de repulsa, acho que é algo natural para quem perdeu algum ente querido naquela noite, qualquer coisa relacionada com o acontecimento, ainda mais com os desdobramentos na justiça, causa uma repulsa quase que involuntária. Confesso também que pensei em uma jornalista querendo faturar com o sofrimento alheio. Depois a curiosidade fez-me lê-lo. O livro não é nenhuma obra prima, mas é bem escrito, fácil de ler, mas difícil de digerir, não pelas letras, mas pelas memórias. Mesmo quem não tem nenhuma relação com o fato, mesmo quem não tenha acompanhado as notícias, fotos, reportagens, ao ler vai resgatar as suas piores memórias sejam quais forem. Quem ler vai lembrar da sua família, dos vivos e dos já falecidos e se tiver um coração vai chorar. Minha repulsa depois de ler o livro se tornou em um sentimento diferente, nenhum sentimento bom a não ser o de uma pequena ponta de esperança de que talvez meu primo e os outros 241 jovens não sejam esquecidos.

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