Sinceramente, eu queria muito poder utilizar esse livro como material bibliográfico para montar minhas aulas ou apresentações. Mas seria bem difícil.
Simplesmente não tenho tempo hábil para ficar checando se aquele inventor realmente fez o primeiro objeto daquele tipo ou só depositou uma patente cujo diferencial nem foi levado adiante. Não tenho como ficar investindo em pesquisas mais profunda para saber se aquela descoberta arqueológica tem um paralelo válido com uma prática ou tecnologia moderna. E eu sei que invenções raramente tem origens em indivíduos, que normalmente tecnologias são desenvolvidas de forma coletiva e gradual, mas realmente deveria caber ao leitor procurar se esse é o caso ou não para aquela invenção? Deveria caber ao leitor pesquisar também se determinada invenção realmente funciona?
O livro não cita as fontes das informações na parte do livro dedicada às invenções, então caberia ao leitor tentar adivinhar qual a referência no final do livro traz aquela informação. Isso ignorando que algumas fontes podem ser "sites" e "redes sociais", conforme expresso na apresentação. Isso ignorando também que a escolha de ilustrações tem maior relação com os primeiros resultados do Google ou com uma visão comum contemporânea do que de fato com a "invenção" na época.
Em relação a possíveis críticas sobre distorções históricas inerentemente trazidas pela busca por "inventores", a autora afirma que não tem "contrariedade". Resumindo o argumento, se brancos tiveram a criação de uma subjetividade baseada nessas distorções, seria legítimo o olhar para o passado visando reconhecer uma ancestralidade e construir "identidades negras altivas".
De verdade, torço para que nas próximas edições haja mais sugestões de leituras complementares para cada invenção. Já que discutir o contexto e as nuances fugiria da proposta, né?
Eu só esperava que os textos sobre cada invenção, em um livro escrito para outros educadores, tivesse um nível de confiabilidade maior que uma revista de banca. Como diz o prefácio, o livro é um "inventário", uma lista. Eu, ao comprar o livro, não esperava que teria as mesmas dificuldades que se eu simplesmente usasse uma lista de blog da internet. O leitor preocupado em objetividade que lute para pesquisar mais.
Ah, o livro também é escrito para leitores mais descompromissados ou mais jovens. Não sei o que esses leitores achariam. Talvez gostem, talvez se apaixonem, talvez usem como fonte para um trabalho da escola. Torço para que funcione como um ponto de partida.
Acredito que, com um olhar crítico, a leitura pode sim ser engrandecedora de alguma forma. Mas eu não usaria como fonte bibliográfica de consulta.