Eu facilmente classifico esse livro como impactante. Sei que as pessoas dizem isso sobre vários livros não tão impactantes assim, mas esse realmente o é. Tendo nascido um ano após a primeira edição do livro, eu nunca vivi aqueles terríveis primeiros anos dessa terrível epidemia - que, não se engane, ainda é uma grande assassina hoje. Randy Shilts, no entanto, escreve de modo tão magnífico que você fica preso e comovido com a história. Eu lacrimejava e criava expectativas durante vários trechos.
É uma história terrivelmente trise sobre nossa história. Sobre como quase ninguém se importou o suficiente que dezenas, depois centenas, depois milhares estavam morrendo de uma doença misteriosa, simplesmente porque aqueles que eram mortos não valiam o sono que você perderia pensando neles. É uma história trágica que te faz pensar em todos aqueles "e se"s que poderiam ter acontecido, tivesse o governo, a mídia, a comunidade gay, a sociedade em geral se importado mais cedo e entrado em ação. Quando o fizeram, já era tarde.
Hoje temos dezenas de pílulas e tratamentos, e pessoas com HIV em alguns lugares podem levar uma vida consideravelmente saudável; ainda assim, em 2014, mais de 22 milhões de pessoas - 22.000.000 indivíduos - não tinham acesso às terapias antirretrovirais.
Talvez nosso presente pudesse ser totalmente diferente, um tempo em que olharíamos para os dias sombrios do início dos anos 1980 e lembraríamos de uma doença mortal, do mesmo modo que fazemos com a gripe espanhola ou com a peste bubônica. And the Band Plays On demonstra amplamente porque nosso presente não é o futuro que algumas pessoas sonharam no começo da epidemia.
Uma leitura indispensável para quem quer conhecer mais sobre a AIDS, a sociedade, a política.