É um livro maravilhoso, com uma escrita dinâmica, que prende o leitor. Essa edição, então, é fantástica, pois traz nas notas de rodapé o significado de palavras que caíram em desuso com a época e a tradução das frases ciganas, facilitando a leitura.
E, para minha surpresa, também se passa em Niterói. Li dois livros seguidos que se passam em Niterói, por pura coincidência. Há vários trechos que ocorrem nas Barcas, na Praia de Icaraí, em Santa Rosa. E isso nos faz sentir como se estivéssemos lendo sobre nossos vizinhos!
Como um bom romance vitoriano, traz a mocinha idealizada como heroína, perfeita, cheia de virtudes. Eu, particularmente, vi duas heroínas no livro: Mary e Tilde. Cada uma com sua peculiaridade, Mary independente e à frente de seu tempo e Tilde conservadora, recata e submissa. Mas ambas heroínas perfeitas.
O vilão é um dos piores que já vi. É sem caráter, falso, manipulador. Guilherme Boston é daqueles vilões que terminamos o livro, querendo enforcá-lo com as próprias mãos.
Uma supresa no livro é a existência de um assassinato, o que o difere dos romances vitorianos de Jane Austen, por exemplo.
O livro também traz muitas referências inglesas, mostrando a influência europeia daquela época no Rio de Janeiro.
Ainda tem um pouco da visão do trabalho do preto como uma mão de obra puramente doméstica e brutal (como capatazes) na figura da Rita e do Nito, o que é característico daquela época.
Apesar de ter uma visão feminista, ainda é bem conservadora, realçando a fragilidade feminina e a importância da virgindade para o bom casamento, por exemplo.
O final não é surpreendente, mas mesmo assim, não conseguimos abandonar a leitura nos capítulos finais, para ter a certeza do desfecho esperado.
Amei a leitura.