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    Úrsula -

    Maria Firmina Dos Reis

    Antofagica
    2021
    312 páginas
    10h 24m
    ISBN-10: 6586490359
    Português Brasileiro
    3.9
    5533 avaliações
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    Favoritos110Desejados7560Avaliaram5533

    O primeiro romance escrito por uma mulher, em nova edição com textos de Preta Ferreira, Conceição Evaristo, Fernanda Miranda e Régia Agostinho, além de mais de 60 artes de Heloisa Hariadne. Durante uma exaustiva viagem pelo cerrado brasileiro, um jovem cavaleiro se acidenta. É encontrado por um negro escravizado que generosamente o resgata e o leva sobre os ombros até a propriedade mais próxima. Além deste laço improvável, outra ligação se forma: entre o cavaleiro convalescente e a bela Úrsula, moradora da casa a que ele foi levado para repousar. A obra ganha potência e singularidade com os personagens negros e escravizados, como Túlio e Susana, que pela primeira vez na literatura foram retratados como indivíduos de valor e interesse para a narrativa, com um passado rico e subjetividades próprias. Mais que coadjuvantes, esses personagens usam sua voz para ativamente denunciar os horrores do regime escravocrata a que estão submetidos. Publicado em 1859 pela maranhense Maria Firmina dos Reis, Úrsula foi o primeiro romance brasileiro escrito por uma mulher. Abolicionista, a autora desafiou a sociedade fortemente escravocrata de sua época. Um dos expoentes do Romantismo brasileiro, a obra vem sendo resgatada de um período de mais de um século de apagamento no meio literário. A nova edição da Antofágica conta com ilustrações de Heloisa Hariadne e apresentação da multiartista e ativista Preta Ferreira. Os posfácios são assinados pelas professoras doutoras Fernanda Miranda (USP), especialista na obra de Maria Firmina dos Reis, e Régia Agostinho, pesquisadora da história econômica das mulheres no contexto da escravidão, e pela renomada escritora Conceição Evaristo.

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    Alexandre Figueiredo picture
    Alexandre Figueiredo04/10/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    A ficção que não se apaga

    O romance necessário. Creio que essa seja a melhor definição para quem pergunta por que se deve ler Maria Firmina dos Reis. Pelo menos foi assim que pensei quando terminei a última página do livro. Não é à toa que “Úrsula” tem hoje a posição que lhe foi negada em seu tempo. Maria Firmina, mulher, negra e educadora, não teve vez no mundo literário - e na sociedade - extremamente racista e machista em que viveu. Entrou no portal do esquecimento e de lá foi resgatada muitos anos depois por um bibliófilo e por pesquisadores que lhe devolveram o devido lugar histórico. Seu livro, é preciso lembrar, respira a plenos pulmões o romantismo em cada linha escrita. No entanto, não é no estilo ou na forma que reside sua força, pois ela está presente na inovação que trouxe consigo, aquela que ninguém queria saber: a de dar voz às minorias, aos marginalizados. A professora Maria Firmina possuía uma consciência plena dos objetivos que pretendia alcançar. Engana-se quem busca na leitura deste livro uma joia rara da prosa brasileira. E nem era essa a intenção. A história em si é bem quadradinha e às vezes tortuosa devido aos encontros entre a princesa prometida e o príncipe benevolente. O que salta aos olhos é a impressionante coragem da autora em ser abertamente abolicionista e entregar ao leitor escravos humanos, não escravos objetos, como gostavam (gostam) de ler os homens brancos com poder. Para não fugir do clichê, “Úrsula” foi, é e será um romance de resistência, ainda que artisticamente seja imperfeito, nada pode tirar a bravura de seu pioneirismo. Apesar da minha atenção ser desviada em alguns momentos pela quantidade de mesóclises que remetem ao nosso recente ex-presidente vampiresco, ou dos melosos encontros entre nossa personagem título e o mancebo Tancredo, casal condutor do romance, a leitura de “Úrsula” é extremamente satisfatória. Isso, é claro, pode ser potencializado pela edição que você escolher ler, como foi meu caso ao optar pelo e-book disponibilizado temporariamente pela Companhia das Letras, que trouxe uma quantidade de informações auxiliares importantes. Portanto, leia Maria Firmina dos Reis e faça mais do que isso: leia mulheres, leia mulheres negras.

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