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    Canto eu e a montanha dança (Mundo Afora) -

    Irene Solà

    Mundaréu
    2021
    223 páginas
    7h 26m
    ISBN-13: 9786587955070
    Português Brasileiro
    4.3
    295 avaliações
    Leram383Lendo34Querem927Relendo0Abandonos5Resenhas54
    Favoritos69Desejados927Avaliaram295

    A história da trágica morte de Domènec e do luto de sua família em uma região montanhosa da Catalunha. Mas também a de como uma jovem corça descobre motivos para correr e correr e correr, e como sobreviver na floresta. Canto eu e a montanha dança é um livro singular, polifônico, fortemente telúrico, com uma perspectiva rara, alheia ao antropocentrismo e a dramas e angústias cotidianos. Irene Solà cria atmosferas e sensações e borra divisas entre o real e a fábula para cantar uma região nos Pireneus catalães, recorrendo a lendas do local, seus fantasmas, sua flora e sua fauna – que inclui Domènec, Sió, Mia, Oriol, Lluna, personagens agrestes e ricos. A história da montanha que abarca a memória dos séculos, de eras geológicas, conflitos políticos, e a interação com a natureza que a habita. Um livro intuitivo e de uma beleza selvagem.

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    Deise V24/08/2025Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Entre luto e vozes que ecoam

    LC do Clube do Livro Feminista Ler Canto Eu e a Montanha Dança foi uma experiência singular: uma obra que não apenas se lê, mas se sente com o corpo, atravessando a mente e a memória. Irene Solà constrói uma narrativa polifônica, na qual cada capítulo dá voz a seres humanos, animais, espíritos, elementos da natureza, inclusive à própria montanha. O livro é fortemente telúrico: a terra, as rochas, a neve, as chuvas e os ventos não são pano de fundo, mas personagens vivos que nos lembram constantemente de nossa fragilidade temporal. A natureza não apenas existe; ela nos observa, nos atravessa e nos recorda que estamos aqui apenas por uma fração mínima de tempo. A obra valoriza múltiplas vozes e experiências, descentrando a narrativa do antropocentrismo e celebrando a memória coletiva, o cuidado e a interdependência entre seres. A força feminina se revela na maneira como a vida e a morte são vividas, transmitidas e preservadas, em harmonia com o ambiente e com a ancestralidade. Pra mim, destacaram-se dois capítulos: "As trombetas" (Parte I), narrado pelos esporos, que nos mergulha em uma sensação de feminino ancestral em diálogo íntimo com a terra, a memória e a continuidade da vida; "O tranco" (Parte III), narrado pela própria montanha, começa com “Não me amolem” e termina com “Ninguém mais se lembra do nome dos seus filhos”, reforçando a efemeridade da vida humana e a força duradoura da natureza. Ambos exemplificam a escrita sensorial, polifônica e telúrica de Solà: uma leitura que exige entrega, mas recompensa com emoções e imagens que permanecem no corpo e na mente. Este é um livro que desafia definições e expectativas: não há respostas prontas, mas um mosaico de memórias, lutos, desejos e vozes que nos atravessam e se complementam. Ao mesmo tempo, nos ensina algo essencial: a singularidade de cada vida humana está sempre conectada à coletividade, à natureza e à memória, e nossa passagem por este mundo é breve, mas marcada por profundidade e intensidade.

    32 curtidas

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    4.3 / 295
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    • 2 estrelas2%
    • 1 estrelas1%
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    Irene Solà

    Irene Solà é uma escritora e artista catalã. Ela expôs seus trabalhos no CCCB em Barcelona e na Whitechapel Gallery em Londres. Seu primeiro livro de poemas, Bèstia, ganhou o romance Amadeu Oller Prize and Dikes 2012, o Prêmio Documenta 2017.

    4 Livros
    14 Seguidores

    Irene Solà