O livro reúne três escritos do padre Fernão Cardim (1540-1625), de capital importância para o conhecimento do Brasil no século XVI: Do clima e terra do Brasil; Do princípio e origem dos índios do Brasil e de seus costumes, adoração e cerimônias, que contém uma enumeração dos povos e línguas indígenas do litoral, e Narrativa epistolar de uma viagem e missão jesuítica, descrevendo uma visitação da Igreja, entre 1583 e 1590, por territórios da Bahia, Pernambuco, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Vicente. Notas e comentários dos historiadores Batista Caetano, Capistrano de Abreu e Rodolfo Garcia acrescentam importantes subsídios ao texto. “Vigorosos intelectualmente, os jesuítas relataram em cartas, diários e sermões o cotidiano colonial, as primeiras impressões sobre os humanos da terra, seus hábitos e costumes, a fauna e a flora exuberantes. E esse encontro entre europeus que conviviam com a Inquisição, e nativos, quase Natureza, singular na história da humanidade, estão nos textos de Manuel da Nóbrega (1517-1570), de José de Anchieta (1534-1597), de Fernão Cardim (1540-1625) de Simão de Vasconcellos (1597-1671), de Antônio Vieira (1608-1697), de André João Antonil (1649-1716) e de outros religiosos menos conhecidos. Os textos de Cardim – Do clima e terra do Brasil, Do princípio e origem dos índios do Brasil e Narrativa epistolar de uma viagem e missão jesuítica – chegaram aqui depois de pertencer a piratas que os roubaram, de ser publicados em inglês, atribuídos a outro autor, e fatos que remetem a filmes de aventuras. Aportaram na aventura de ler e reconhecer os antepassados com a ajuda, sempre oportuna e preciosa, de Capistrano de Abreu, o historiador que devolveu a Cardim – no século XIX –, o que era dele.” – Aninha Franco, coordenadora da coleção.
Tratados da terra e gente do Brasil (Coleção: Auto-conhecimento Brasil) -
Fernão Cardim
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Ver maisFernão Cardim; Tratados da Terra e Gente do Brasil
Fernão Cardim; Tratados da Terra e Gente do Brasil, possui 217 páginas, editora Hedra. Fernão Cardim um jesuíta, um dos personagens da Companhia de Jesus no Brasil, foi um dos precursores da História do Brasil, testemunhos significativos. Partiu para o Brasil em 1583, onde permaneceu por cinquenta anos, percorreu o território brasileiro, descrevia aquilo que observava e sentia sobre a terra e gente desse território pelo qual foi verdadeiramente atraído. Entre 1582 e 1590, Cardim explorou as terras das capitanias de Bahia. Ilhéus Porto Seguro, Pernambuco, Espirito Santo, Rio de Janeiro, São Vicente e São Paulo. Descreve 108 espécies de animais e 64 espécies de flora. Também possui uma admiração por descrever as diversas características, hábitos sociais e culturais dos indígenas. Vivenciais os rituais de antropofagismo e enumerou cerca de 104 nações indígenas. "Entre essas fontes situam-se os roteiros de navegação, de teor essencialmente técnico e os re latos de viagem, estruturados em forma de diário; as cartas narrativas, onde a personalidade do autor emerge de maneira mais evidente, assim como os valores socioculturais; os regimentos, alvarás, requerimentos e outros textos político-administrativos e por vezes econômicos; as inquirições, acerca dos testemunhos dos moradores e do seu contato com os povos ameríndios; os tratados científicos, contendo informações de ordem etnológica, zoológica, botânica, entre tantos outros aspectos dignos de realce; e finalmente as gramáticas, que permitem o estudo das línguas indígenas." Pág 62 Cardim é um homem completo que procura captar o maior número de conhecimentos, observando tode o que o rodeia, um humanista que procura um saber em har monia com o viver e ainda um saber em harmonia com um novo mundo. Mas sempre um saber global, total, que con siga transmitir o maior número de informações aos seus su periores. Nele encontramos o geógrafo, que estuda a terra. o seu clima e a sua habitabilidade; o etnografo, que descreve os povos indigenas, seus usos e costumes, com respeito e co erência; o zoologo e o botânico, que observa com rigor a fauna e flora desconhecidas, descrevendo-as de una forma quase visual; o cronista que traça os hábitos das populações, até mesmo os gastronômicos, e que menciona as missões dos jesuítas, os seus colégios e residências, o estado das ca pitanias, os seus habitantes e suas produções, o progresso ou a decadência da Colônia e as suas causas, assim como os problemas que tinham de enfrentar diariamente, alertando mesmo o poder para as questões a resolver." Pág 66
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