Escrever um livro infantil não é uma tarefa fácil. Mais do que tornar a linguagem acessível, deve-se tornar a mensagem por detrás do livro de fácil entendimento ao público jovem que ainda está se enveredando pelo mundo das letras. Ana Maria Machado consegue, com louvor, conquistar essa meta com esse livro.
Li Raul da Ferrugem Azul quando tinha 7 ou 8 anos. Uma fábula bem simples sobre um garoto que reprime seus medos, raivas, internaliza tudo e um dia acorda com ferrugens azuis que se espalham pelo corpo. Ele parte então numa jornada para descobrir como desfazer as ferrugens, inclusive encontrando outros personagens assim, como a Estela da Ferrugem Amarela. Uma vez que ele aprende a defender o que ele acredita, a lutar, a pôr pra fora suas emoções, suas raivas, seus medos, as ferrugens somem e o peso no coração dele também.
É uma lição que absorvi muito na minha vida. O livro me fez pensar, ainda pequeno, se eu teria ferrugens azuis. Algumas crianças da minha sala (lembro que esse era um livro didático obrigatório na 3ª série, em 1997) ficaram com olhos arregalados lendo, e tenho certeza que muitos deles carregam até hoje essa lição. Às vezes releio o livro e vejo o quanto ele foi importante no meu crescimento pessoal e na minha formação emocional. Recomendo fortemente lê-lo para seus irmãos, filhos, sobrinhos e outros que estão começando a experimentar essa época difícil da infância que é crescer.