Imagine que o aluno favorito da professora de literatura, que é um adolescente gay emo que ama compartilhar suas playlists favoritas com os colegas, escreveu um livro. O que quer que você tenha imaginado que o resultado seria, é provavelmente similar ao que você vai encontrar aqui.
De cara eu me peguei instigado com a abordagem de trabalhar o luto através de um fluxo de consciência estruturado em diferentes estilos de escrita - da prosa ao verso - e diferentes janelas de tempo, sem oferecer transições claras de um para outro.
Infelizmente não levou muito para que a empolgação fosse substituída pela frustração quando o artifício foi sendo acentuado sem oferecer muita substância em retorno. Mesmo quando conseguia distinguir as diferentes linhas temporais, não era capaz de compreender o motivo de pularmos de um ponto para outro ou de que forma essa correlação de ideias poderia proporcionar algo significativo.
Acho que o autor não soube dosar suas abstrações com pontos de conexão emocional para seus leitores, especialmente se considerarmos que o público-alvo desse livro são adolescentes. Ele realmente escreveu um livro para si próprio, o que torna a obra bem inacessível para quem não compartilha todos os seus referenciais e sensibilidade.
Não excluo a possibilidade que talvez meu bloqueio venha do fato de que nunca li um texto poético em um idioma que não é o meu e que dialoga tão diretamente com outros autores cujo trabalho eu nunca consumi.
Porém se é uma experiência individual ou da maioria dos leitores, o resultado é que não senti e não devo reter quase nada com essa leitura. Triste início para as leituras do ano.