A Sociedade Autofágica (Crise & Crítica) - capitalismo, desmesura e autodestruição

    Anselm Jappe

    Elefante
    2021
    336 páginas
    11h 12m
    ISBN-13: 9786587235561
    Português Brasileiro

    Em A sociedade autofágica, Anselm Jappe fala da autodevoração das sociedades do capitalismo avançado, assombradas que são pela fome insaciável do crescimento econômico. Reaparecem aqui as bases da “crítica do valor” (Wertkritik) — que reconhece no capitalismo uma forma específica de constituição fetichista, e não uma simples sociedade de classes —, já apresentadas pelo autor em "As aventuras da mercadoria". Desta vez, porém, o autor dá um passo em nova direção, até agora pouco explorada. Formula uma crítica profunda do sujeito, que deixa de ser encarado como figura da autonomia, e passa a ser compreendido enquanto produto da socialização do valor. Advém daí o conceito de forma-sujeito (antecipado por Robert Kurz e aprofundado por Jappe), que apreende o sujeito como forma específica da existência na modernidade capitalista. Esse sujeito, portanto, não pode bastar como base das reivindicações emancipatórias — como no ciclo contínuo dos movimentos sociais, que reclamam, a cada momento, a liberação de um diferente sujeito oprimido. Para operar essa reviravolta, Jappe revisita o pensamento de Freud, primeiro pensador a revelar a clivagem intrínseca ao sujeito. Indo além da psicanálise, encontra no retorno patológico dessa clivagem não uma simples inadequação à norma social, mas a realização dos fundamentos da forma-sujeito. O conceito de narcisismo, cada vez menos entendido como uma doença, já havia sido compreendido como característica cultural mais ampla, ao menos desde o trabalho de Cristopher Lasch. Mas Jappe vai mais longe, ao perceber na recusa narcísica do mundo exterior uma herança filosófica profunda, e cujo germe estaria já explicitado na recusa cartesiana da res extensa. O narcisismo deixa então de ser entendido como desvio patológico, e revela-se como realização da forma-sujeito que nasce e se desenvolve com a expansão da sociedade do valor. — Gabriel Zacarias

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    brunno felype22/01/2025Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Incrível

    Sem sombra de dúvidas um dos melhores livros de não-ficção que já li. A tradução é ótima — não porque eu entenda algo da língua do autor, mas porque o texto é fluido. Anselm Jappe faz paralelos entre a forma-sujeito historicamente forjada a partir de pensadores como Descartes, Kant e Hegel e as teorias psicanalíticas acerca do narcisismo.

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