Cartas à Guiné-Bissau - registros de uma experiência em processo

    Paulo Freire

    Paz & Terra
    2021
    266 páginas
    8h 52m
    ISBN-13: 9788577534333
    Português Brasileiro

    Cartas à Guiné-Bissau é o registro do trabalho de Paulo Freire na construção de um modelo de alfabetização de adultos naquele país. Escrito e compilado em 1976 e 1977, é um livro comovente que transborda o verdadeiro sentido da ajuda, aquela em que todos se auxiliam, crescendo juntos no esforço comum de conhecer a realidade que buscam transformar. Em 1963, em Angicos, interior do Rio Grande do Norte, trezentos trabalhadores rurais foram alfabetizados em apenas 40 horas, pelo método proposto por Paulo Freire. Esse foi o resultado do projeto-piloto do que seria o Programa Nacional de Alfabetização do governo de João Goulart, presidente que viria a ser deposto em março de 1964. Em outubro desse mesmo ano, Freire deixou o Brasil para proteger a própria vida. Apenas voltou a visitar o país em 1979, com a abertura democrática. Ao longo de sua história, Paulo Freire recebeu mais de cem títulos de doutor honoris causa, de diversas universidades nacionais e estrangeiras, além de inúmeros prêmios, como Educação para a Paz, da Unesco, e Ordem do Mérito Cultural, do governo brasileiro. Integra o International Adult and Continuing Education Hall of Fame e o Reading Hall of Fame. “Há algo que me parece importante salientar. A margem de liberdade que têm os estudantes na sua participação no trabalho. Um grupo, por exemplo, que se dedica seriamente ao cultivo das flores no Hospital Simão Mendes, pensa na mensagem de vida que uma rosa possa trazer diariamente aos enfermos. Amam as rosas que plantam tanto quanto a terra que preparam para a semeadura de árvores frutíferas. O seu amor à vida tem que ver com o esforço de reconstrução revolucionária de sua sociedade.”

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    Lucca Monzani22/08/2025Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    "Posso ter minha opinião sobre muitos temas, sobre a maneira de organizar a luta; de organizar um partido; uma opinião que se formou em mim, por exemplo, na Europa, na Åsia, ou ainda em outros países da Africa, a partir de livros, de documentos, de encontros que me influenciaram. Não posso porém pretender organizar um partido, organizar a luta, a partir de minhas idéias. Devo fazè-lo a partir da realidade concreta do pais." Amilcar Cabral _______ Parece-me que este é um dos problemas que uma sociedade revolucionária deve se pôr no campo da educação enquanto ato de conhecimento. O do papel criador e recriador, o da re-invencão que o ato de conhecer demanda de seus sujeitos. O da curiosidade diante do objeto, qualquer que seja o momento do ciclo gnosiológico em que estejam, o em que se busca conhecer o conhecimento existente ou o em que se procura criar o novo conhecimento. Momentos, de resto, indicotomizáveis. A separação entre esses momentos reduz, de modo geral, o ato de conhecer o conhecimento existente à sua pura transferência ""burocrática'' A escola, não importa o seu nível, se transforma em 'mercado de saber'; o profesor, num especialista sofisticado, que vende e distribui um "conhecimento empacotado'; o aluno, no cliente que compra e "come' este conhecimento. _________ A escola colonial, a primária, a liceal, a técnica, esta separada da anterior, anti-democrática nos seus objetivos, no seu conteúdo, nos seus metodos. divorciada da realidade do país, era, por isso mesmo, uma escola de poucos, para poucos e contra as grandes maiorias. Selecionava até mesmo a pequena minoria dos que a ela tinham acesso, expulsando grande parte deles após os primeiros encontros com ela e, continuando a sua filtragem seletiva, ia aumentando o número dos renegados. Renegados em quem enfatizava o sentimento de inferioridade, de incapacidade, em face de seu "'fracasso"*. __________ Temos realmente muito o que aprender de um povo que vive tão intensamente a unidade entre a palavra e o gesto. O individuo aqui vale enquanto gente. A pessoa humana é algo concreto, não uma abstracão. __________ "'A luta de libertação, que é a expressão mais complexa do vigor cultural do povo, de sua identidade e de sua dignidade, enriquece a cultura e lhe abre novas perspectivas de desenvolvimento. As manifestações culturais adquirem um conteúdo novo e novas formas de expressão. Tornam-se assim um instrumento poderoso de informação e de formação política, não somente na luta pela independênca mas ainda na batalha maior pelo progresso.

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