Crônicas do Japão - Edição Bilíngue POR/JPN

    Príncipe Toneri, Ô-no-Yassumaro

    Literatura Livre – Sesc São Paulo
    2020
    197 páginas
    6h 34m
    ISBN-10: B09GPTQ8K8
    Português Brasileiro

    Crônicas do Japão é o segundo registro escrito das histórias, mitos e lendas da civilização japonesa medieval. Importante fonte do pensamento Shintō e da história das primeiras famílias imperiais, Crônicas do Japão narra, por exemplo, a introdução do budismo no país e a Reforma Taika ocorrida no século 7. Os textos dessa obra têm suas origens em histórias orais. Escritos originalmente em chinês, fato que reflete a influência dessa civilização sobre o povo japonês, foram compilados em 720 por ordem da corte imperial. O objetivo era fornecer ao Japão uma história capaz de fazer frente aos anais dos chineses. Compilado por Ô-no-Yasumaro e pelo príncipe Toneri-no-miko, esta obra mescla lendas, mitos e a genealogia da família imperial. Ao entender as raízes alegóricas do Japão, cria-se uma ponte entre suas origens culturais e a contemporaneidade brasileira, que passou a receber imigrantes japoneses a partir de 1908. A imigração japonesa ao Brasil era composta em sua maioria por antigos membros de classes e profissões remodeladas ou extintas pela Reforma Meiji, que embora fosse um esforço para modernizar o país, colocou à margem da sociedade uma grande parcela de sua população. Esses imigrantes vieram para um mundo bastante insólito, que desafiou a fortaleza de suas tradições e costumes. É possível afirmar que Nihonshoki é uma espécie de versão oficial dos mitos do Japão e de parte da história daquele país. À época, sua produção buscava legitimar o poder então estabelecido com narrativas que vinculavam a origem do imperador à deusa Amaterasu e vincular a história do país a uma base documental. A tradução para o português desse texto fundador da civilização japonesa, considerado tesouro nacional em seu país de origem, é portanto uma conquista para o nosso idioma. Título original: Nihonshoki (720)

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    Leila de Carvalho e Gonçalves 24/11/2021Resenhou um livro
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    Nihonshoki

    Você conhece o projeto Literatura Livre? Realizado pelo SESC São Paulo e produzido pelo Instituto MOJO de Comunicação Intercultural, ele tem por objetivo formar uma coleção digital gratuita de obras oriundas dos povos que contribuíram para a formação da sociedade brasileira, trazendo novos costumes e estreitando laços afetivos. Por sinal, esses e-books são bilíngues: além da tradução inédita para o português, o leitor tem acesso ao texto original, de domínio público, no idioma que foi escrito. “Crônicas do Japão” ou “Nihonshoki”, uma das narrativas escolhidas, ê uma das principais fontes de estudo sobre a história e o pensamento japonês na Antiguidade” e seu texto foi compilado pelo Príncipe Toneri e por Ō-no-Yassumaro “a partir de documentos oficiais da Corte, registros guardados em templos, pesquisas em fontes chinesas e coreanas, além das transcrições de narrativas orais, míticas e folclóricas”. Seu propósito foi criar um relato coerente e linear sobre a linhagem imperial japonesa, aos moldes das prestigiadas narrativas históricas chinesas. Seus dois primeiros tomos, apresentados neste e-book, relatam a origem do mundo e dos deuses, enquanto que os 31 restantes discorrem sobre o reinado de 37 imperadores e 4 imperatrizes. O resultado comprova “a existência de uma cultura polimórfica, indelevelmente marcada pela contribuição de elementos das mais variadas origens”. Todavia, “Crônicas do Japão” ficou aquém de minhas expectativas, na verdade, ela não conseguiu fisgar meu interesse, tornando muitas vezes enfadonha a leitura. Provavelmente, isto se deve a minha pouca familiaridade com uma narrativa formada “por uma multiplicidade de histórias com versões complementares, contraditórias e até desconexas”. Apesar de minha frustração, não ousaria desaconselhar uma obra que reporta ao século 8 e graças a sua importância, como material de estudo e pesquisa, tornou-se uma milenar sobrevivente perante a tantas outras. Enfim, três estrelas, destacando a iniciativa e a cuidadosa tradução de Lica Hashimoto.

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