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    As formas elementares da vida religiosa - O sistema totêmico na Austrália

    Émile Durkheim

    Edipro
    2021
    544 páginas
    18h 8m
    ISBN-13: 9786556600543
    Português Brasileiro
    4.1
    122 avaliações
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    “a ideia de religião é inseparável da ideia de Igreja, ela permite entrever que a religião deve ser algo eminentemente coletivo” Lançada em 1912, As formas elementares da vida religiosa foi a última obra publicada em vida por Durkheim. Considerada por muitos sua obra-prima, permanece leitura indispensável nos cursos de ciências sociais. Ela inaugura a sociologia da religião, um campo de investigação dos fenômenos religiosos que traz um novo olhar aos processos de integração social à luz da religião. Para Durkheim, a religião é um dos pilares essenciais da sociedade, consistindo em um sistema solidário de crenças e práticas relativas ao sagrado, que reúne seus praticantes em uma mesma comunidade moral denominada Igreja. Nas palavras dos tradutores, “ao mergulhar no coração da vida religiosa, Durkheim nos oferece um intrigante ponto de partida para investigar os múltiplos domínios que instituem e são instituídos pela vida coletiva”. Esta tradução para o português foi realizada a partir da edição francesa original de 1912: a única versão efetivamente controlada pelo autor. E inclui o índice onomástico produzido para a edição inglesa de 1915.

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    Marcos Augusto picture
    Marcos Augusto14/08/2023Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Para Durkheim, religião e sociedade são quase sinônimos e a religião surge como um vínculo social fundamental. Segundo ele, “uma sociedade não se constitui simplesmente pela massa de indivíduos que a compõem, pelo solo que ocupam, pelas coisas que utilizam, pelos movimentos que realizam, mas, antes de tudo, pela ideia que tem de si” Uma sociedade é mais do que a soma das suas partes e a imagem que uma sociedade tem de si própria representa esta existência ideal e supra-individual . Para Durkheim, a imagem que uma sociedade dá a si mesma assume sempre a forma de religião. Ele, portanto, escreveu As Formas Elementares da Vida Religiosa para melhor elucidar esse fenômeno. A começar pela definição de religião como um sistema unido de crenças e práticas relativas a coisas sagradas, que unem na mesma comunidade moral, chamada Igreja, todos aqueles que a ela aderem. As coisas sagradas estão no cerne de qualquer religião e não necessariamente aludem a uma força sobrenatural, como Deus, mas podem assumir a forma de qualquer objeto, seja material, como uma pena, uma bandeira, uma cruz ou uma pedra, ou sobrenatural. Mostra também uma primeira oposição entre o sagrado, por um lado, e o profano, por outro. O sagrado é alcançado através de ritos particulares. Essa definição vem de um estudo das etnologias de várias tribos do mundo (principalmente aborígenes australianos, que ele considera os mais "primitivos" e, portanto, os menos complexos e mais fáceis de estudar). Ele traça uma comparação cruzada de seus ritos e crenças para descobrir o que eles têm em comum. Ao fazer isso, ele fundamenta as noções de sacralidade, igreja, ritos e comunidade moral que vemos em sua definição de religião. Ele aborda a explicação desses elementos em sua descrição do que chama de momentos de efervescência coletiva, o ponto de origem de toda religião. Segundo Durkheim, a religião é criada em momentos do que ele chama de 'efervescência coletiva'. Esses momentos ocorrem quando todos os indivíduos de um grupo são reunidos para se comunicar "no mesmo pensamento e na mesma ação" um extraordinário grau de exaltação" que Durkheim chama de 'mana'. Podemos ver essa força de mana hoje em estádios de futebol ou em reuniões políticas nacionais. Então, para que a sociedade tome consciência dessa força mana, ela deve ser projetada em um objeto material externo. Como ele diz, “A força religiosa é apenas o sentimento que a comunidade inspira em seus membros, mas projetada fora das consciências que a vivenciam, e objetivada. Para objetivar, fixa-se em um objeto que assim se torna sagrado.” a sociedade toma consciência de si mesma, de sua própria unidade, e nasce uma religião. Na conclusão de Formas elementares da vida religiosa, Durkheim discute a queda do cristianismo como religião do Ocidente. Ele indica que a religião cristã não mantém mais a sociedade ocidental em forma, devido ao fato de que a vida moderna excede em muito a doutrina do cristianismo. “As grandes coisas do passado, aquelas que entusiasmavam nossos pais, já não despertam em nós o mesmo ardor, seja porque entraram no uso comum a ponto de se tornarem inconscientes para nós, seja porque não correspondem mais ao nosso atual aspirações; e ainda nada foi feito para substituí-los." Padrões cristãos, moralidade e metafísica não fazem mais sentido e não nos inspiram mais. Trata-se, então, de uma importante crise da moralidade, situação que deixa a sociedade sem centro, sem autoridade e em estado de desintegração. No entanto, Durkheim encontra no Ocidente os elementos de uma nova religião, o que ele chama de 'culto do indivíduo', uma religião que tem o indivíduo como seu objeto sagrado. Ele vê a Revolução Francesa como a primeira instância de efervescência coletiva dessa religião.

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