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    A família Medeiros -

    Júlia Lopes de Almeida

    Carambaia
    2021
    256 páginas
    8h 32m
    ISBN-13: 9786586398434
    Português Brasileiro
    4
    61 avaliações
    Leram78Lendo6Querem123Relendo0Abandonos2Resenhas17
    Favoritos2Desejados123Avaliaram61

    Abolicionista, feminista e republicana já nas duas últimas décadas do século XIX, Júlia Lopes de Almeida (1862-1934) foi uma das escritoras mais ativas e mais lidas de seu tempo, mas, como muitas outras, passou por um processo de apagamento histórico que ainda não foi de todo reparado. O romance A família Medeiros, que em 2021 completa 130 anos, foi a obra que a tornou conhecida em seu tempo. Publicado primeiramente como folhetim na Gazeta de Notícias do Rio de Janeiro em 1891, tornou-se livro rapidamente graças a uma trama bem arquitetada que passa por uma história de amor e por mais de um mistério a ser desvendado. No entanto é também, do início ao fim, a narrativa do conflito entre jovens abolicionistas e escravistas, estes dispostos às piores crueldades para manter as coisas como estão. O enredo começa com a chegada de Otávio Medeiros, depois de uma temporada de estudos de engenharia na Alemanha, à fazenda de seu pai, o comendador Medeiros, em Campinas (SP). Otávio vem para o Brasil com ideias avançadas contra a escravidão e a favor da modernização da agricultura, em oposição às convicções de seu pai. Na casa da fazenda Santa Genoveva mora agora uma prima, Eva, uma jovem altiva que não só nutre ideias abolicionistas como intervém contra os maus tratos aos escravos e contribui financeiramente para fundos de alforria. Em torno de Eva há um segredo que faz tremer o comendador. Na figura do chefe da família Medeiros, Júlia Lopes de Almeida constrói uma crítica severa ao patriarcado. Além de perverso com os escravos, o comendador é uma pessoa retrógrada e intransigente, convicto de que deve e pode arranjar os casamentos dos filhos – Otávio tem duas irmãs –, é casado com uma mulher submissa e sem voz nas questões familiares, inimigo do próprio irmão e intolerante com os modos independentes da sobrinha. Em A família Medeiros, que não por acaso a escritora terminou de escrever em 1888, ano da Lei Áurea, a convicção abolicionista vem lastreada por um painel do período de transição que transcorria. As fugas e rebeliões de escravos cada vez mais frequentes são acompanhadas do protagonismo das vozes antiescravagistas, surgem os primeiros imigrantes europeus e há prenúncios da automatização do campo: uma nova máquina agrícola é recebida com pompa e circunstância pelos personagens. Um aspecto curioso da construção literária do romance, tributária da fonte do realismo francês, é a descrição das fazendas paulistas, seu funcionamento, os hábitos de seus moradores e o linguajar tanto dos escravos quanto dos senhores. Conforme a trama vai se adensando, os personagens centrais viajam pelas estradas, fazendas e vilas – além de, brevemente, pelas áreas centrais de Campinas – e a autora descreve os pequenos comércios e a fala caipira. Carioca, Júlia houve por bem criar notas de rodapé para explicar ao leitor os “paulistismos” que recolheu. Para um público previsivelmente burguês, a autora descreve ainda a romaria de pagadores de promessas ao Bom Jesus de Pirapora, uma fuga de escravos e uma comunidade de leprosos.

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    Ana Carolina Gomes picture
    Ana Carolina Gomes20/02/2022Resenhou um livro
    2.5 (Razoável)

    Leitura arrastada

    Nunca tinha lido nada da autora e me encantei por essa edição da Carambaia. A sinopse me pareceu interessante por trazer à baila temas como a abolição da escravidão, a chegada dos imigrantes ao Brasil e a transição para a República. A escrita da autora é fluida porém a historia não me convenceu. Os personagens, com contornos promissores, são mal desenvolvidos. Detestei quando a autora lançou mão da facilitação narrativa para resolver um imbróglio que poderia ter sido melhor explorado. E o final? Decepcionante! Enfim, que bom que acabou. Não recomendo investir tanto dinheiro para adquirir uma obra de qualidade razoável que está disponível em domínio público. Talvez o apagamento histórico, sofrido pela autora, se deva ao fato de que suas histórias não são boas. Desculpa, Julia! Pra mim, vc forçou.

    25 curtidas

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    4 / 61
    • 5 estrelas18%
    • 4 estrelas54%
    • 3 estrelas25%
    • 2 estrelas3%
    • 1 estrelas0%
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    Júlia Lopes de Almeida

    Júlia Lopes de Almeida foi uma escritora, cronista, teatróloga e abolicionista brasileira. Foi uma das idealizadoras da Academia Brasileira de Letras (ABL). Tem uma produção grande e importante para a literatura brasileira, de literatura infantil a romances, crônicas, peças de teatro e matérias jornalísticas. Foi casada com o poeta português Filinto de Almeida, e mãe dos também escritores Afonso Lopes de Almeida, Albano Lopes de Almeida e Margarida Lopes de Almeida.

    64 Livros
    26 Seguidores
    Rio de Janeiro, Brasil

    Júlia Lopes de Almeida