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    Vardø: A ilha das mulheres -

    Kiran Millwood Hargrave

    Record
    2021
    350 páginas
    11h 40m
    ISBN-13: 9786555873481
    Português Brasileiro
    4.2
    27 avaliações
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    Véspera de Natal, 1617. O mar ao redor da remota ilha norueguesa de Vardø é surpreendido por uma tempestade de grandes proporções. A jovem Maren observa enquanto os homens da ilha, que saíram para pescar, perecem em questão de segundos. Para as mulheres que ficaram para trás, sobreviver significa enfrentar a dura rotina da ilha. Elas pescam, caçam e matam renas ― algo que nunca tinham feito enquanto os homens estavam vivos. Mas a fundação dessa nova sociedade de mulheres começa a se desestabilizar com a chegada, três anos depois, de Absalom Cornet, um homem sinistro enviado da Escócia para erradicar supostas práticas de bruxaria. Cornet leva consigo a ameaça do perigo, mas vai acompanhado de sua bela e jovem esposa norueguesa chamada Ursa. Em seu novo lar e em Maren, Ursa encontra algo que nunca tinha visto antes: mulheres independentes. Porém, neste lugar onde Ursa encontra a felicidade e até mesmo o amor, Absalom vê apenas um ambiente dominado por um mal terrível, que ele precisa erradicar a qualquer custo. Inspirado nos eventos reais da tempestade de Vardø e nos julgamentos das bruxas em 1621, esta é uma história de amor, maldade e obsessão.

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    Resenhas (3)Ver mais
    Carlos Lucio picture
    Carlos Lucio01/11/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    http://gramaturaalta.com.br/2021/11/01/vardo-a-ilha-das-mulheres/

    Na véspera do Natal de 1617, uma tempestade sem precedentes se formou repentinamente próxima à costa da ilha de Vardø, no extremo nordeste da Noruega. Quase todos os homens da ilha, 40 no total, estavam em embarcações de pesca no mar quando foram surpreendidos. Nenhum deles retornou com vida. A tragédia não se restringiu à perda das vidas, mas às dificuldades seguintes em um local que já era de poucas pessoas. Quase todos os habitantes da Vardø passaram a ser mulheres, algumas crianças, velhos e um padre. O rei da Dinamarca-Noruega, Cristiano IV, era luterano ortodoxo e queria estabelecer sua religião por todo o reino e eliminar todas as influências de povos da Finamarca, uma área vasta, selvagem e em grande parte desprovida de governo. A maioria dessa população era indígena, para quem a conversa com espíritos eram práticas bastante comuns, e se recusou a obedecer às reformas religiosas do rei. Então, Cristino IV instaurou perseguições e massacres sobre a proteção do estado. Vardø está localizado na Finamarca. Em 1619, dois anos após a tragédia em Vardø, o comissário Absalom Cornet recebe a ordem do rei para se instalar na ilha e estabelecer a conversão de todos os habitantes à religião oficial, além de averiguar a possível existência de bruxas. Caso se confirme, deverá julgá-las e condená-las. Antes de viajar, Cornet se casa com Ursula, a filha de um empresário à beira da falência. Em Vardø, Ursula conhece mulheres que possuem conhecimento de seus corpos e de como ser mulher de uma forma que ela nunca imaginou. Mais ainda, Ursula conhece Maren, uma das locais, e as duas criam uma amizade que, aos poucos, se transforma em algo mais forte e emotivo. Enquanto isso, ela precisa lidar com um violento Cornet, que usa todo o seu poder para mudar a população de Vardø e matar quem ele acha que é herege e tem parte com o demônio. VARDO – A ILHA DAS MULHERES é uma obra ficcional baseada em fatos reais. Os personagens não existiram da forma como são descritos no livro, mas existiram pessoas muito próximas a isso. A narrativa não é romântica na sua maior parte, e se mantém distante na maioria dos capítulos. Essa decisão se demonstra correta, uma vez que existem muitos trechos de enorme crueldade e que poderiam causar um incômodo ainda maior se fossem exagerados. Um exemplo é a descrição da noite de núpcias de Ursula. Ela é uma mulher sem instrução, afinal em 1617 as mulheres eram proibidas para isso, sem amigas íntimas e com uma mãe longe de ser alguém presente. Ursula não sabe nada de seu corpo, além daquilo que ele demonstrou conforme se desenvolveu. Quando ela tem a primeira relação com o esposo, homem rude, frio, que não demonstra qualquer afeto, descobre como funciona um ato sexual. Acompanhar seus pensamentos e sentimentos é uma experiência triste, revoltante, ainda mais quando se considera o quão normal era esse desconhecimento na época. O mesmo pode ser dito dos atos bárbaros perpetuados por Cornet em Vardø. A relação que Ursula e Maren criam conforme se conhecem, é a parte romantizada da obra, mas feita de uma maneira singela, carinhosa e cuidadosa. E ler esses trechos causam emoções conflituosas, uma vez que eles transmitem grande emoção, são as partes bonitas da obra, mas é óbvio que uma relação assim está fadada a ser trágica. A torcida fica para que o autor apresente uma solução que seja feliz para ambas, Ursula e Maren. E, de certa forma, isso acontece. VARDO – A ILHA DAS MULHERES se passa em uma época que eu, particularmente, não consigo imaginar a intensidade de sofrimento e revolta. Uma época de monstros protegidos por uma falsa religião, com o único objetivo de conseguirem poder e matar todos os que são contrários à sua vontade. É uma leitura forte, intensa, que deixará você pensativo por muito tempo.

    6 curtidas

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    4.2 / 27
    • 5 estrelas33%
    • 4 estrelas48%
    • 3 estrelas15%
    • 2 estrelas4%
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    Kiran Millwood Hargrave profile picture

    Kiran Millwood Hargrave

    Kiran Millwood Hargrave nasceu em Londres, em 1990. Estudou nas Universidades de Cambridge e Oxford, e é poetisa e dramaturga premiada. Seus escritos a levaram das florestas do Canadá às montanhas do Japão. Foi vencedora em 2017 da categoria livro infantil dos prêmios Waterstones e British Book; finalista do prêmio Jhalak de livro do ano por Writer of Colour; finalista do prêmio Branford Boase de 2017; finalista do Little Rebels de 2017 e indicada para a Carnegie Medal de 2017. A Garota que Lia as Estrelas é seu primeiro romance.

    13 Livros
    15 Seguidores

    Kiran Millwood Hargrave