O romance de estreia de Rafael G. Esteque nem parece um romance de estreia. Isso porque é comum ler primeiros livros de diversos autores e encontrar um problema recorrente: a falta de ritmo.
Este calcanhar de Aquiles rítmico de tantos romances tornou-se um dos maiores méritos de A Maldição da Mangueira; o autor sabe dosar perfeitamente os momentos de tensão com toques de esperança aliados a densos elementos de terror, culminando num clímax apoteótico.
Apenas quando já estamos embarcados nesta nave, no meio do espaço, percebemos como a obra transcende, e muito, o terror urbano, localizando-se em alguma galáxia entre o horror cósmico e o suspense.
Tudo isso com personagens (o que inclui um vira-lata caramelo e um gato branco) carismáticos e críveis; pudera, a história se passa na São Paulo do início do século XXI, então é compreensível que Léo, um jovem professor de biologia, seja um ferrado na vida. Recém solteiro e desempregado, e há muito quebrado (nos mais variados aspectos), Léo se depara, em sua nova casa, com insistentes experiências inexplicáveis que habitam a linha tênue entre a realidade e o mundo onírico - o que não deixa as coisas mais suaves.
Passando por locais clássicos da cidade e muitos que só serão reconhecidos por moradores locais, Léo busca desvendar o mistério sobre a magnífica e imponente mangueira no quintal de seu sobrado que só dá frutos podres, e é constantemente ajudado e prejudicado por diversas pessoas, o que denota a importância de sua missão.
Sou leitor assíduo do Rafael desde que participamos, juntos, de uma antologia de temática medieval; parabenizo este amigo que a literatura me trouxe por tantos contos de altíssima qualidade e agora por este livro que, após anos de estudos, esforço e escrita, só pode ser motivo de orgulho e combustível para suas próximas grandes histórias.