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    Revista Suprassuma (Suprassuma #1) - Primeira vez

    Jana P. Bianchi, Moacir Fio

    Suma
    2021
    163 páginas
    5h 26m
    ISBN-13: 9786557825990
    Português Brasileiro
    3.9
    216 avaliações
    Leram257Lendo30Querem107Relendo0Abandonos10Resenhas54
    Favoritos12Desejados107Avaliaram216

    Suprassuma é a revista de ficção especulativa da Editora Suma, digital e colaborativa. Nessa edição de estreia, oito autores nacionais contam histórias inéditas sobre suas perspectivas de uma "primeira vez". A revista Suprassuma nasce da necessidade e do desejo de ouvir as vozes da literatura fantástica no Brasil, criando o portal para um universo compartilhado. Dentro dele, criaturas desconhecidas, mundos inexplorados e histórias únicas que ninguém mais poderia contar. Essa primeira edição traz oito dessas histórias, selecionadas dentre as mais de oitocentas que foram submetidas no primeiro edital e editadas com muito carinho pela Suma junto aos autores. Em O destino não é endereço, de Jana Bianchi, uma mulher capaz de atravessar umbrais para qualquer lugar no mundo resgata perseguidos políticos da ditadura. Em Não vai ser a primeira, nem a última, de Fernanda Castro, uma mulher engravida de um demônio em um mundo onde crianças híbridas são tratadas como aberrações. Em Um ajuste de ponteiros, de Moacir Fio, duas irmãs em uma família de viajantes no tempo enfrentam os desafios dessa convivência. Em Orvalho flamejante, de Giu Yukari Murakami, uma família imigrante portadora do dom do fogo busca um recomeço no Norte do Brasil. Em Vertente, de Andrezza Postay, uma mulher faz um retorno à infância, à casa dos avós e um passeio pelas vertentes da memória. Em Ith, de Ariel Ayres, um novato recebe a missão de apertar o botão que explodirá um planetinha. Em Ressurreição, de Fabiane Guimarães (autora convidada), a medicina 5.0 traz promessas de imortalidade... para aqueles que podem pagar por ela. Em Dias de pouco pão e zero sonho, de Saskia Sá, uma mulher entra em uma loja de antiguidades mágicas e se sente atraída por um colar que mudará seu destino.

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    Thomas J S picture
    Thomas J S10/11/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Promessas

    Pela editora que lançou essa revista, e pelos autores (alguns eu conhecia pelo menos um ou outro trabalho), tive bastante curiosidade em ler logo! Existem muitas revistas de fantasia e ficção. Muitas mesmo. A maioria não tem uma grande seleção, uma "curadoria" de textos, publicando assim textos em nichos de grupos de amigos, ou de escritores que basicamente pagam para serem publicados. E existem revistas muito boas, muito mesmo, como a Mafagafo (para citar uma). Essa primeira edição da Suprassuma (um nome um pouco megolamaniaco, não?), talvez se aproxime mais de uma curadoria cuidadosa, prometendo ser uma revista de referência. Mas, claro que não gostei de todos os textos (e isso acontece em todas as antologias, não é?). E isso deve acontecer com todos leitores. Só depois percebi que foi uma seleção bastante concorrida para os participantes dessa edição. Não sei os critérios de escolha, mas imagino que nem todos autores tenham sido escolhidos exclusivamente pelos seus textos. A selação foi à cegas, ou pediu nome e, mais importante, o @ dos autores? Digo isso, pois imagino que a Editora talvez (e é um grande talvez) tenha escolhidos autores mais pela sua fama, seguidores, nichos, represantividade do que pelo conto propriamento dito. E sinceramente, não acho isso ruim. Uma primeira edição precisa criar uma público, e a literatura brasileira precisa de diversidade. E uma revista custa dinheiro para ser planejada, produzida e publicada. E, bom, melhor se ela já vier com autores que tenham um público, né? Eu não fui atrás, não mesmo, mas aposto com vocês que esses autores sejam "influencers" em algum nicho. Então aqui há contos espetaculares, de fato, e outros que são talvez apenas medianos (não ruins, mas não espetaculares!) que talvez não passasse em outras revistas. Bom, vamos aos contos: O Destino Não é um Endereço O conto de Jana Bianchi abre a revista, e o primeiro parágrafo deste primeiro conto é muito interessante. De imediato nos empolga a ler não só o texto da autora, mas toda a revista. Conhecia a autora da Mafagafo e aqui ela manteve o mesmo padrão de sua revista. Um texto muito, muito bem escrito e com uma história original. Gostei de ler uma fantasia baseada nos anos de Chumbo. Não Vai Ser a Primeira, Nem a Última. Esse conto da Fernanda Castro é muito bonito e singelo, falando de maternidade. Acho que nunca li nada da Fernanda Castro que eu não gostasse. Tudo em sua escrita é na medida certa, suas histórias misturam sempre emoções reais com um fundo de fantasia. Acho que Fernanda Castro é o maior nome do Realismo Mágico brasileiro na atualidade. Um Ajuste nos Ponteiros Não conhecia o autor, e achei o conto interessante, mas a escrita um pouco difícil. Frases muito curtas. Com muitos pontos finais. Muitos. Sem conjunções. Sem ligação. Uma estrada, longa, plana. Num dia de sol. Tudo pareceria lindo. Mas começaram as lombadas. Muitas lombadas. Talvez buracos. Cada ponto final é uma trave. Um sofrimento. Dez pontos finais para cada cinco vírgulas para zero ritmo. O texto perde fluídez. Falta lirismo. Contos são mais próximos de poesia do que manual técnico. Uma receita de bolo. Frases sem verbo. E algumas com verbo. Só. Narrador seco. Narrador sem emoção. Diálogos curtos. Diálogos sem emoção. Droga. Não consigo parar de escrever assim. Orvalho Flamejante Gostei muito da temática por ser baseado na imigração Japonesa no Norte, com essa pegada do Avatar (o desenho! rsrs). Aliás, essa coisa de magia "elemental" é bem comum, acho. A originalidade veio realmente no contexto nipo-brasileiro. Legal! Vertente, de Andrezza Postay é um texto lindo. Acho que é o que mais gostei. A questão tratada no texto é sempre muito bonita, seja em filmes ou contos, e foi belamente descrita aqui. Fiquei curioso em ler mais da autora. Eu realmente gostei de estilo de escrita, ritmo, história, personagens. Ela disse muito em tão pouco! Um conto muito maduro. Digno de um Hugo Awards! A revista acertaria muito manter esse padrão, mas deve ser raro encontrar textos tão emocionantes. Itch. O conto tem uma premissa legal, mesmo que um tantinho clichê. A originalidade está nos diálogos bem dinâmicos, dando um humor ágil ao texto. Mas, a pontuação ficou um pouco estranha. (Por falar nisso, "mas" é acompanhado de vírgula! Fica a dica #suprassuma). Então... Alguns trechos, inclusive o final, precisei ler duas vezes. Justamente o dinamismo que o autor almejou, com um texto ágil, fez algumas frases ficarem truncadas. Para resolver isso seria necessária algumas mudanças na pontuação. Aliás, por que nenhum "travessão" no texto? Acho que posicionar alguns deles, e colocar mais detalhes sobre as falas (fulando se levanta. Fulando coça a cabeça, enfim, qlq coisa!) ajudaria. É bem comum o autor ter a história na sua cabeça, cada voz, cada encadeamento de ação e não conseguir passar para o papel. Não quer dizer que o autor é bom ou ruim. Esse tipo de toque, revisão geralmente fica justamente para o editor. Acho que a revista pecou um pouco na revisão neste conto. Ressureição de Fabiane Guimarães é o segundo conto que mais gostei. A escrita é muito boa, o ritmo, a personagem e a temática também. O conto também tem o melhor final de todos da antologia. É como um grande monólogo, e escrever monólogos é difícil, mas a autora conseguiu. O risco é alto, mas a recompensa também é. Temos um texto profundo. Dias de pouco pão e zero sonho de Saskia Sá. Esse conto é muito interessante. Não gostei do narrador (pois é...). Mas, se pensarmos bem, um leitor não gostar de um narrador já é sinal de uma escrita muito poderosa, afinal, o narrador é um personagem nessa história e só podemos gostar ou desgostar se o personagem for bem construído.

    27 curtidas

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    Jana Bianchi é escritora, tradutora, editora, podcaster e passeadora de lobisomens.

    7 Livros
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    São Paulo, Brasil

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