Kanikosen - O navio caranguejeiro

    Takiji Kobayashi

    Aetia
    2021
    124 páginas
    4h 8m
    ISBN-13: 9786587491141
    Português Brasileiro

    Kanikosen é um marco na literatura proletária no Japão. Conta a história de um grupo de trabalhadores de um dos famigerados navios-fábrica, embarcações pesqueiras que contavam com instalações para conserva e embalagem de alimentos enlatados. Elas saiam do norte do Japão para o gelado mar de Okhotsk (na Rússia) em busca de caranguejos — nem todos os trabalhadores, porém, voltavam vivos para contar sua história devido às terríveis condições de salubridade e segurança ali encontradas. Logo os eventos dentro do navio assumem ares de uma representação dos reveses do capitalismo moderno e da conscientização da classe trabalhadora. Os trabalhadores em questão se organizam e fundam um sindicato em alto-mar, buscando medidas para tomar controle do navio. Kobayashi cria aqui um brilhante microcosmo do que seria uma revolução proletária no Japão imperial.

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    Lusia Nicolino31/03/2022Resenhou um livro
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    É preciso conhecer os dois lados da história

    Um navio. Um mundo estilizado da dinâmica do capitalismo moderno e dos raios de conscientização dos trabalhadores explorados. Os trabalhadores, enfrentando um dia a dia de privações, doenças, tarefas exaustivas e comida ruim, conseguem se organizar em uma espécie de sindicato para, mais do que tomar o controle do navio, sobreviver. Kanikōsen é considerado um marco na literatura proletária no Japão. A história que se descortina traz à tona os bastidores de um dos famigerados navios-fábrica – embarcações pesqueiras que contavam com instalações para conserva e embalagem de alimentos enlatados. Saiam do norte do Japão para o gelado mar de Okhotsk (na Rússia) em busca de caranguejos — entre quem pesca e embala e quem come o produto na costa, uma fenda enorme, capaz de engolir sem dó qualquer vida. Quote: "Cinzas subiam formando uma nuvem densa na frente da caldeira, como se brasas de carvão tivessem sido puxadas para fora e banhadas com água. Ao lado, os foguistas com o peito nu estavam fumando enquanto conversavam, sentados no chão, abraçando os joelhos. Na semiescuridão, eles eram justamente como gorilas agachados. A boca do depósito de carvão estava entreaberta, permitindo que espiassem, de maneira agourenta, o seu interior frio e escuro como breu."

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