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    Mau comportamento -

    Mary Gaitskill

    Fósforo
    2021
    256 páginas
    8h 32m
    ISBN-13: 9786589733423
    Português Brasileiro
    3.5
    35 avaliações
    Leram53Lendo7Querem255Relendo0Abandonos4Resenhas10
    Favoritos2Desejados255Avaliaram35

    Quando foi publicado pela primeira vez, em 1988, Mau comportamento causou furor na cena literária americana com suas histórias de obsessão — frequentemente regadas a sexo, drogas e fetiches — que iluminam o lado menos confessável do desejo humano. Em mais de um conto, mulheres jovens trabalham como prostitutas, orbitando uma Nova York dos anos 1980 que fervilha de aspirantes a artistas lutando por reconhecimento. Em outros, a relação entre duas amigas é construída com refinamento psicológico ímpar. Inveja, vaidade e frustração são sentimentos que Mary Gaitskill leva a sério. Aos trinta e poucos anos, a escritora de Detroit dinamitou as barreiras da ficção que restringiam aos personagens masculinos o direito de ser imperfeitos, de ter maus hábitos ou de cometer erros, e inaugurou um novo tempo das protagonistas refratárias a convenções e incapazes de se ajustar a moldes de delicadeza e bondade até então inescapáveis. Mais de trinta anos após sua primeira publicação, Mau comportamento se firmou como um clássico moderno do cânone americano e se apresenta como uma obra que transcende o nosso contexto político atual, como transcendia o de então, confirmando hoje o que já se intuía lá atrás: Mary Gaitskill é muito mais do que a voz de uma geração, é uma grande tradutora da natureza humana.

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    Resenhas (10)Ver mais
    maria f picture
    maria f02/05/2025Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    eu gosto dos personagens desajustados, gente doida e sem perspectiva de vida da mary gaitskill. moralidade comprometida, zero nível de inteligência emocional… personagens que me fazem pensar em outras formas de viver a vida e rever os meus preconceitos. o paquera de daisy: 4/5. gostei da construção dos personagens, das personalidades disfuncionais e um tantinho problemáticas deles. a escrita é muito límpida e fácil de acompanhar. a minha única ressalva é quanto ao fim. parece abrupto, como se a mary gaitskill tivesse parado de escrever de repente. eu amo finais em aberto, mas, sei lá, sinto que esse ficou em aberto demais. as lágrimas da daisy após o encontro com o outro casal certamente significaram alguma coisa, mas o que, exatamente? talvez o final abrupto sirva para fazer o leitor pensar, construir o seu próprio desfecho. fim de semana romântico: 4/5. mais personagens disfuncionais, só que, dessa vez, elevados à décima potência. na minha limitada visão de mundo e na minha opinião totalmente enviesada e pouco confiável, esse é um conto sobre ruídos de comunicação, intencionalidade, sobre tentar se encaixar em um espaço que lhe cabe e sobre paixões instantâneas. o personagem masculino é um canalha misógino que só sabe colocar a beth pra baixo, mas ela demora um fim de semana todo pra perceber que ele é um homem pequeno e decepcionante e, aí, sim, deixa de interpretar um papel e consegue aparar as arestas dos diálogos do casal. não vou entrar no mérito da traição porque não quero julgar e nem moralizar essa leitura. fiquei sabendo que o livro toca em temas mais “audaciosos”. a escrita ainda é ótima, mas eu sinto que a mary gaitskill coloca ênfase em umas descrições que não fazem tanta diferença assim. o final deste é mais redondo e mais satisfatório. uma aventura gostosa: 3,5/5. eu não gosto muito do tema e não gostei muito do protagonista. não é o fato de ele estar traindo a mulher com uma garota de programa, ou ser um homem velho obcecado por uma mulher mais jovem. ou ele ser, basicamente, um inútil. é algo sobre o ponto de vista dele, sobre as coisas que ele pensa que sabe sobre a jane, sobre como ele encara a vida e as fantasias um pouco ridículas que ele tece ao redor de uma jovem que ele não conhece fora de um quarto. achei tão ridículo que chega a ser um tanto comovente. mas isso não foi o suficiente para melhorar o personagem aos meus olhos. gostei mais da lisette/jane, e teria adorado acompanhar o ponto de vista dela. minha cena favorita foi, sem dúvidas, a cena final. um revival: 3/5. outro conto que termina abruptamente, com outro personagem masculino babaca. por um instante, cheguei a sentir uma pontinha minúscula de simpatia por ele na cena da conversa com a amiga rica que vê o sucesso (o que quer que isso seja) como algo natural. mas as reminiscências do seu relacionamento com a sara e as fantasias super esquisitas dele me afastaram de novo. eu sei que prometi não julgar e tudo mais, mas é difícil manter um mínimo de neutralidade quando o cara tem um sonho erótico com uma adolescente sexualizada e pensamentos e comportamentos muito misóginos. eu sei que os personagens são imperfeitos e etc, mas, às vezes, é demais. o joel me lembrou, de um jeito desconfortável, do ted de o cara legal, da kristen roupenian. vínculo: 5/5. depois de ler a amiga genial, lila e lenu viraram referência de amizade feminina na literatura. então, é óbvio que eu comparei a susan e a leisha com elas. alguns aspectos e dinâmicas dessa amizade me trouxeram recordações da dupla italiana. por outro lado, a mary gaitskill escreve de um jeito diferente, cria personagens diferentes, um pouco mais cínicos e "mal comportados". eu anotei em um trecho do conto que estava adorando a amizade feminina e contraditória, que era por coisas como essa que eu tinha escolhido esse livro. a susan tem muitas camadas que eu gostaria de ver descobertas em um romance. mas, como esse conto é uma espécie de retrato da vida dela e suas lembranças sobre a leisha, eu fiquei satisfeita com o que a autora entregou. e o final em aberto fez muito sentido, embora eu tenha ficado MUITO curiosa. “a vontade que dá é de sugar as pessoas até a última gota, porque deseja que elas despejem suas entranhas sobre você e você sobre elas, infinitamente, até que não haja nada a ser revelado de ambas as partes, mas não é assim que funciona." tentativa: 5/5. a stephanie é uma das personagens mais complexas e intrigantes do livro. acompanhar o percurso dela na prostituição, seus relacionamentos com outros personagens e tudo o que passava pela cabeça dela foi delicioso. um sentimento de voyeurismo, uma vontade de me afastar da cena, mas, ao mesmo tempo, a sensação de estar presa, não conseguir desviar os olhos. eu me identifiquei em alguns trechos com aquela angústia de jovem adulto procurando um emprego e tentando se posicionar no mundo e a vontade de escrever mesclada a ilusão de que você tá "colhendo material". enquanto lia o conto e acompanhava a stephanie, fiquei com uma impressão muito forte de que, devido ao relacionamento com o bernard, ela acabaria destruída. fiquei feliz por isso não ter acontecido, e achei o final muito bonito. “fazia uma noite bonita, parecida com as noites de halloween, e a rua estava repleta de seres exuberantes. estava animada, admirando rostos e cortes de cabelo. observou as pessoas, os cachorros, os carros e prédios, e tudo lhe parecia muito agradável. parou numa mercearia coreana e contemplou as frutas. ficou encantada com o apuro e a beleza do método de empilhamento tradicional. imaginou-se ali, todas as semanas, comprando frutas, vegetais, pão, cereais, leite, e achou a ideia maravilhosa. comprou uma maçã e voltou para casa comendo pela rua.” secretária: 4,5/5. esse era o conto que eu estava mais ansiosa para ler. acho que, pensando no filme, imaginei uma história mais longa, com mais acontecimentos e mais interações entre os protagonistas. apesar de ter as expectativas frustradas, gostei MUITO do conto. achei a narração meio apática da protagonista muito crível e suas reações ao comportamento do advogado, muito compreensíveis. penso que, para uma história curta, o desfecho foi o ideal, mas ainda fiquei com vontade de ler mais sobre aquele universo e seus personagens. a escrita da mary gaitskill tem algo que torna tudo muito palpável, é quase como se eu conhecesse seus personagens, e me despedir deles pode ser um pouco agridoce. “‘debby, você já teve a sensação de estar fora de si, quase como se conseguisse se ver de outro lugar?’. na época eu não tinha tido, mas agora sei do que se trata. nem é tão ruim assim.” outros quinhentos: 5/5. esse conto é um pequeno universo. se fosse esticado e transformado em um romance, acho que se sustentaria. como história curta, é satisfatória. nesse conto, e em vários outros do livro, eu senti nova york como uma entidade. uma cidade viva, hostil, com uma boca cheia de dentes pra mastigar e cuspir quem se atreve a tentar a sorte em suas ruas sujas e desoladas. a imagem da cidade é muito viva, muito forte. é um lado frio, nada glamouroso, de um lugar em que você tem que lutar pra sobreviver, pra conseguir morar em um muquifo em um bairro decadente, enquanto trabalha em um emprego ruim que paga mal e anda em metrôs lotados e capengas. as relações sociais da connie são muito ricas e cheias de camadas, algo que a escrita da mary gaitskill recobre com uma complexidade impactante. a escritora consegue me pegar pela mão e só me larga lá no fim do conto, e eu acho isso incrível. algumas discussões são muito potentes e podem ser levadas para além da leitura, pra fora da esfera ficcional. “é meio estranho ser confrontada com a fragilidade alheia de maneira tão agressiva. algumas pessoas vão querer te proteger, como eu quis, mas outras vão fazer de tudo pra te magoar. tem aquelas que vão sentir medo, porque é óbvio que associarão isso com a própria fragilidade” paraíso: 3/5. acho que esse é o conto mais diferente do livro. acho que é a ambientação, talvez o contexto dos personagens. mas foi uma boa mudança. eu gostei muito da construção dos personagens, principalmente da virginia, apesar de parecer que, às vezes, a autora forçava um pouco com as personalidades de alguns membros da família dela, como a magdalen e o charles. apesar dessa ressalva a da rapidez dos acontecimentos, eu gostei da história. o problema é que, depois de um conto tão potente como outros quinhentos, senti que a qualidade decaiu um pouquinho. mas a escrita continuou ótima, deliciosa, daquelas que a gente devora e só larga quando termina, sem fôlego e querendo mais. eu não li o original, mas achei a tradução muito original e cheia de soluções criativas.

    7 curtidas

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    Avaliações

    3.5 / 35
    • 5 estrelas17%
    • 4 estrelas31%
    • 3 estrelas34%
    • 2 estrelas11%
    • 1 estrelas6%