Um daqueles achados que nos lembram por que ainda nos apaixonamos por histórias de amor, mesmo quando o mundo parece cínico demais para elas.
Ao mergulhar nessa narrativa, é impossível não te sentires transportado para um cenário que pulsa veracidade, fugindo do melodrama plástico e abraçando a complexidade do "ser real".
A leitura me trouxe uma conexão imediata com "Um Lugar Chamado Notting Hill" (um dos meus preferidos). Não apenas pelo charme britânico ou pela estrutura de encontros e desencontros, mas pela essência do "confronto de mundos".
Assim como no filme, existe aqui aquela vulnerabilidade crua: a sensação de que o amor é (será?), ao mesmo tempo, a coisa mais extraordinária e a mais comum do mundo.
A escrita é tão palpável que tu quase consegues ouvir o sotaque dos personagens e sentir o clima das ruas. É uma história que não parece ter sido "escrita", mas sim "vivida" e depois transcrita para o papel.
Minha relação com os protagonistas foi um exercício de paciência e empatia. No início, o encantamento puro, aquela fagulha inicial que nos faz torcer por troca de olhares. Em seguida, a frustração (daquelas boas!). Queria sacudi-los, questionar suas escolhas e lembrá-los de que o tempo é um recurso escasso. Por fim, uma compreensão profunda, pois entendi que as falhas dos personagens são o que tornam o título tão potente: cada recomeço exige a coragem de deixar para trás quem fomos ontem.
Não posso encerrar esta resenha sem fazer um agradecimento público e carinhoso a uma amiga do Skoob. Seu comentário afirmando que sua mãe nutria um carinho especial pelo filme de mesma alcunha, reafirmou que somos todos protagonistas de histórias que não se distanciam e de que esse mundo tem o tamanho do espaço vivido por nós. Percorremos distâncias entre a primeira e a última página de um livro, porém, magicamente a literatura nos faz sentir que inexistem.
Para quem busca uma história que poderia facilmente ser o roteiro da tua própria vida (ou daquela que tu gostarias de ter), este livro é o ponto de partida ideal. Afinal, hoje é, de fato, o primeiro dia do resto de nossas vidas.
Amar é descobrir que o amanhecer não é um evento do céu, mas o instante em que decidimos ser, finalmente, o sol um do outro.
EFERVESCENTE, VISCERAL, CINEMATOGRÁFICO, REDENTOR, PULSANTE, LUMINOSO