O conto “Rip Van Winkle”, de Washington Irving, relata a história de um marido indolente e bem-humorado que mora com sua família numa aldeia fundada por holandeses perto do rio Hudson, durante os anos que precedem a Revolução de 1776. Um dia, Winkle embrenhou-se pela floresta adentro com sua espingarda e seu fiel companheiro, o cão wolf, com a desculpa de caçar, para fugir do controle e das reclamações de sua mulher, Dame Winkle. No caminho, cruzou com um pequeno holandês carregando um barrilete, e sua vida mudou para sempre.
Washington Irving joga com o real e o fictício ao iniciar o conto dizendo que, a história que vamos ler foi encontrada entre os papéis do falecido Diedrich Knickerbocker, um velho gentleman de Nova York muito curioso do passado holandês da província e costumes dos descendentes dos primitivos colonos. Entretanto, essa é uma história ficcional e fantástica que usa o momento histórico em que o país se encontrava e as lendas indígenas sobre a montanha de CatsKill como pano de fundo para mesclar a realidade com fantástico e o sobrenatural.
A história mostra um homem situado em um lugar real e em um contexto histórico reconhecível, que ansiava por fugir do seu presente, onde era controlado e oprimido, para traçar paralelos com a opressão que o país sofria como colônia do rei britânico George III. No final do conto, Rip, assim como os E.U.A, consegue sua liberdade e escapa do antigo pavor da tirania de sua mulher, Dame van Winkle.
Esse conto de Washington Irving foi citado por Jack London em "O Cruzeiro do Snark", e fiquei muito curiosa para lê-lo. O conto fala sobre duendes mágicos e viagem no tempo, enquanto traça um paralelo com a história da independência americana. A narrativa de Irving é envolvente e a tradução de Monteiro Lobato é excelente.
Esse foi um conto clássico e fantástico com uma escrita primorosa e uma analogia muito bem desenvolvida, que adorei conhecer.
Agora me bateu a vontade de ler outros contos de Washington Irving, pois sua escrita, o teor fantástico e a riqueza de sua história despertou minha curiosidade. Recomendo para todos essa leitura.