O chamado de Cthulhu - Edição bilíngue

    H. P. Lovecraft

    Hedra
    2020
    160 páginas
    5h 20m
    ISBN-13: 9788577156481
    Português Brasileiro

    Em nova edição, "O chamado de Cthulhu" da Hedra apresenta a figura mais popular de Lovecraft em publicação bilíngue e com nova e detalhada introdução. Cthulhu é a mais famosa dentre as criaturas e ambientes de sonho — ou pesadelo — de H. P. Lovecraft, além de ser o centro da série sobre os Grandes Antigos, as gigantescas e incompreensíveis criaturas anteriores a esta Terra. É a cristalização, numa imagem, de um tipo específico de terror chamado “cósmico”: mas um cósmico íntimo e literário. Em Cthulhu se encontram as vertigionosas características das “altas profundezas”: o monstro que dorme no fundo do mar — verde, sombrio, doentio — de corpo descomunal, com dimensões inqualificáveis. Uma metamorfose do próprio Kraken, monstro marinho e cefalópode da mitologia escandinava, o polvo gigante que assombrava as antigas sagas em verso. Nesse monstro antigo que remontava, Lovecraft pôde encontrar um código de seus próprios horrores: mas que funcionou bem, porque o verdadeiro mergulho no medo de um é o mergulho no medo de todos.

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    Anica Bitten picture
    Anica Bitten12/05/2010Resenhou um livro
    3 (Bom)

    O chamado de Cthulhu e outros contos (H.P.Lovecraft)

    Eu já tive contato com Lovecraft anteriormente. Naquele momento, para falar bem a verdade, era TANTA gente dizendo que era a coisa mais bacana do mundo em se tratando de horror que bem, como fã do gênero é óbvio que li os livros com altíssimas expectativas. E nós sabemos que esse tipo de coisa causa decepção na grande maioria das vezes, e com o sr. Lovecraft não foi diferente. Fiquei pensando em como ele fazia caca ao prolongar demais a história após o clímax (eu sou meio fã daquela coisa de unidade de efeito, sabe como é) ou ainda ao tentar explicar o que foi visto. Pois bem. Eis que após a leitura de Smoke and Mirrors do Neil Gaiman eu me animei a ler novamente Lovecraft (até porque uma das minhas histórias favoritas na coletânea prestava homenagem ao autor). E lá vou eu, conferir uma edição de bolso publicada pela editora Hedra, que me surpreendeu, diga-se de passagem. Fui consultar os livros disponíveis no catálogo da editora e o legal é que eles fogem do óbvio tem muita coisa que foge dos títulos que vemos nas publicações de mesmo formato aqui no Brasil, a começar pela seleção de contos do Lovecraft. Troféu joinha para eles. Sobre os contos. Hum. As teorias do Poe ainda pesam muito quando estou lendo um conto de horror. Eu fico pensando naquelas ideias de não ser muito prolixo, para não prejudicar o efeito final e yadda yadda yadda. Nesse sentido, Lovecraft falha miseravelmente MESMO. Porque alguns de seus contos são quase novelas.1 E então eu comecei a observar os textos não como quem tenta atingir a tal unidade de efeito, mas como quem simplesmente quer contar uma história de horror. E aí, meu filho, o sujeito manda muito bem. O legal nos contos dele não é a unidade de efeito, mas as imagens. Lovecraft é um autor extremamente visual. Mesmo dias após ler alguns contos eu ainda fecho os olhos e vejo o que li como se tivesse presenciado aqueles momentos. E alguns deles são horror puro, ainda mais se somadas à exploração dos demais sentidos que ele faz, ao incluir elementos como frio intenso, fedor insuportável e afins. É um outro tipo de horror, mas é um ótimo horror. Dos contos presentes na coletânea meu favorito é O Modelo de Pickman, simplesmente genial. Por causa de algumas coisas que o narrador comenta você meio que já sabe o que está por vir, mas essa antecipação acaba auxiliando no desenvolvimento da tensão cada vez que se aproxima da conclusão. E a conclusão por si, é daquelas para não colocar defeito algum. Gostei também dos demais, mesmo Dagon que já tinha lido antes e não curtido muito, agora ficou interessante depois que adotei esse novo esquema de leitura dos contos do Lovecraft. E no final das contas valeu muito a pena, até (e aqui elogiando a Hedra mais uma vez) pelo trabalho bacana que fizeram, com uma ótima introdução e com uma carta do Lovecraft no fim, além de Notas sobre a escritura de contos fantásticos. Resumindo: daquela história de Poe ser melhor do que Lovecraft, eu cheguei a conclusão de que eles são diferentes. E eu sei que isso parece ser o tipo de coisa que se fala sobre a amante para a esposa, mas a verdade é que a coletânea me convenceu que vale muito a pena reler e ir atrás de outras coisas dele. 1. por novela aqui entenda-se texto mais longo que conto e mais curto que romance, sim? []

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