Box Adélia Prado -

    Adélia Prado

    Editora Record
    2021
    464 páginas
    15h 28m
    ISBN-13: 9788501305077
    Português Brasileiro

    Quatro grandes obras da premiada Adélia Prado, uma das maiores poetas brasileiras da modernidade, reunidas neste box de luxo – com formato diferenciado, novas capas impressas em papel especial – que ainda conta folheto com conteúdo adicional inédito e exclusivo. A poesia de Adélia Prado é um marco da literatura brasileira. Neste box, estão reunidos os quatro livros mais decisivos de sua trajetória poética: Bagagem, O coração disparado, A faca no peito e Oráculos de maio. Ele contém ainda um folheto com fotos e um texto inédito sobre a obra de Adélia, escrito pela atriz e também poeta Elisa Lucinda. Bagagem (152 pág.)Primeiro livro de Adélia Prado, publicado em 1976, Bagagem mostra o talento que faria da escritora uma das mais aclamadas poetas da literatura brasileira. O estilo inconfundível dos poemas não traduz somente a lenta maturação de uma obra sendo idealizada por quatro décadas; revela uma poeta dotada de autocrítica, cultivada lentamente e disposta a correr riscos.“Adélia é lírica, bíblica, existencial, faz poesia como faz bom tempo: está à lei, não dos homens, mas de Deus.” - Carlos Drummond de Andrade“Adélia é uma poeta da linguagem escrita. Mas escrita ditada pelos ritmos da voz, longamente cultivada na liturgia, na conversa da cidade de interior, na memória familiar, nas canções populares e na declamação dos poemas. A sua concepção poética converge para o verbo.” - Augusto Massi O coração disparado (128 pág.)Vencedor do Prêmio Jabuti em 1978, O coração disparado consagrou a autora como uma das grandes vozes da poesia brasileira. Nele, Adélia aprofunda um dos temas que se tornariam marca de sua obra: a religiosidade.“A experiência religiosa é uma experiência poética. A poesia aponta para o mesmo lugar para onde a fé nos leva. São experiências de natureza comum. Tanto é verdade que a linguagem é a mesma. Os textos míticos são paradoxos, falam por metáforas, porque falam do indizível. A poesia é a mesma coisa”, explica Adélia. A faca no peito (88 pág.)Publicado pela primeira vez em 1988, A faca no peito é mais uma obra imprescindível da poesia brasileira. O livro é centrado em Jonathan, personagem que se refere tanto a Deus quanto ao sexo masculino ou à crença religiosa. Ele congrega a promessa e a fuga, a realização e o desejo, a eterna busca.“De um único modo se pode dizer a alguém: ‘não esqueço de você’. A corda do violoncelo fica vibrando sozinha sob um arco invisível e os pecados desaparecem como ratos flagrados. Meu coração causa pasmo porque bate e tem sangue ele e vai parar um dia e vira um tambor patético de falas no meu ouvido ‘não esqueço de você’. Manchas de luz na parede, uma jarra pequena com três rosas de plástico. Tudo no mundo é perfeito e a morte é amor.” Oráculos de maio (96 pág.)Em Oráculos de maio, Adélia Prado valoriza o cotidiano e o texto oralizado, fazendo uma homenagem a várias figuras religiosas, sagradas e profanas. Segundo Elisa Lucinda, “sua concepção poética mais revolucionária é o conceito aparentemente blasfêmico, mas fundado no mais genuíno amor, é a consciência de que o erótico não nos afasta de Deus e de que estar em contato com ele é, sobretudo, uma experiência sensorial”.

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    Sapere Aude31/01/2022Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Adélia Prado: lírica, bíblica, existencial!

    Um belíssimo box de luxo com grandes obras da premiada e querida Adélia Prado. Eu a conheci pelas frequentes menções na obra de Rubem Alves. Uma definição ímpar foi escrita por Drummond: “Adélia é lírica, bíblica, existencial, faz poesia como faz bom tempo: está à lei, não dos homens, mas de Deus.” Reúnem-se os quatro livros mais decisivos de sua trajetória poética: Bagagem, O coração disparado, A faca no peito e Oráculos de maio. Há um estilo inconfundível em seus poemas que revela uma poeta dotada de autocrítica, cultivada lentamente e disposta a correr riscos. Sua escrita é ditada pelos ritmos da voz, cultivada na liturgia, na conversa da cidade de interior, na memória familiar, nas canções populares e na declamação dos poemas. Para Adélia, a experiência religiosa é uma experiência poética. Segundo Elisa Lucinda, “sua concepção poética mais revolucionária é o conceito aparentemente blasfêmico, mas fundado no mais genuíno amor, é a consciência de que o erótico não nos afasta de Deus e de que estar em contato com ele é, sobretudo, uma experiência sensorial”. Segue alguns aperitivos: “Louvai o Senhor, livro meu irmão, com vossas letras e palavras, com vosso verso e sentido, com vossa capa e forma, com as mãos de todos que vos fizeram existir, louvai o Senhor”; “Meu Deus, me dá cinco anos. Me dá um pé de fedegoso com formiga preta, me dá um Natal e sua véspera, o ressonar das pessoas no quartinho. Me dá a neguinha Fia para eu brincar, me dá uma noite para eu dormir com minha mãe. Me dá minha mãe, alegria sã e medo remediável, me dá a mão, me cura de ser grande, ó meu Deus, meu pai, meu pai”; “A poesia, a mais ínfima é serva da esperança”; “Louvado seja Deus meu Senhor, porque o meu coração estado cortado a lâmina… Louvado sejas, porque eu quero pecar”; “Se eu pisar, o amor de Deus me mata”; “Pode-se compreender de novo que esteve tudo certo, o tempo todo e dizer sem soberba ou horror: é em sexo, morte e Deus que eu penso invariavelmente todo dia. É na presença d’Ele que eu me dispo e muito mais, d’Ele que não é pudico e não se ofende com as posições no amor”; “Homem e muleta de Deus”; “Me abraça, Deus, com Teu braço de carne, canta com Tua boca pra eu ficar inocente”; “Deus só me dá o sonho”; “Não me peça de volta o que me destes, Deus”; “Me dá coragem, Deus, para eu nascer”; “No mesmo prato o menino, o cachorro e o gato. Come a infância do mundo…”; “Quarenta anos: não quero faca nem queijo. Quero a fome”; “Minha alma quer copular”; “Aço frio de um punhal foi teu adeus pra mim”; “Para o desejo do meu coração o mar é uma gota”; “… e morra a [*****] a minha tristeza”; “Quero amor, o fino amor”; “Uma tal esperança imploro a Deus”; “Cravejado de estrelas”; “Se nos mastiga com dor, é por amor que nos come”; “Estou com saudade de Deus, uma saudade tão funda que me seca”; “Eu vos peço perdão por ter amado mal”; “Inauguro linhagens, fundo reinos - dor não é amargura. Minha tristeza não tem pedigree, já a minha vontade de alegria, sua raiz vai ao meu mil avó”; “Quanto mais erótico, mais sagrado”. Por fim: “confortai-me com flores, fortalecei-me com frutos, porque desfaleço de amor”.

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