Odete inventa o Mar (Paralelos) -

    Sonia Machado de Azevedo

    Perspectiva
    2007
    96 páginas
    3h 12m
    ISBN-10: 8527307898
    Português Brasileiro

    A linguagem da sensibilidade no romance é um mistério da narratividade que só poetas dos fluxos verbais dos estados de alma - como Clarice Lispector, em português, Virginia Woolf e Katherine Mansfield, em inglês, para lembrar de alguns - são capazes de aí penetrar e expô-lo a uma luz que mantenha todo seu encanto, poder de invocação, força de emoção e solicitação de deciframento para um leitor moderno. Nas sinuosas dobras desta escritura, em que o sonho e a imaginação se desdobram como palavras em liberdade, 'Odete Inventa o Mar,' numa fascinante narrativa da busca do ser humano por si próprio e por sua razão de ser no mundo. ''Odete inventa o mar'' é mais que tudo isto; é um retorno às coisas deixadas de há muito tempo para trás, em quintais, em tardes de verão que pareciam ser para sempre. Mas o fluxo continua, o das águas e o das vidas: infância, adolescência, a vida de adulto e finalmente, a velhice, seguida inexoravelmente pelo fim de tudo. Que, de certo modo, é o recomeço de alguma outra vida, das tantas que se tem para viver, inventadas ou não. Impossível ler uma única vez. (FONTE: Livraria Cultura)

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    Marcos Faria picture
    Marcos Faria11/06/2015Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Em seu primeiro romance, Sônia Machado de Azevedo se mostra uma autora corajosa. Não exatamente inovadora - a prosa sem pontuação, remetendo a fluxos de pensamento, já não representa uma revolução - mas sem dúvida alheia a formatos mais tradicionais e confortáveis. Certamente a opção estética foi a mais adequada para falar não apenas da psique fragmentada de Odete quanto da outra fratura emocional, a que a sua internação num sanatório provoca em sua família (e especialmente na irmã Ondina, que às vezes assume a narração). É um livro em que tudo é pequeno - os personagens, os cenários, os dramas, até mesmo as letras são sempre minúsculas exceto em nomes próprios - para forçar o leitor à introspecção necessária para mergulhar no mar que Odete inventou.

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