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    The Great Gatsby (English Edition)

    F. Scott Fitzgerald

    Green Light
    2011
    141 páginas
    4h 42m
    ISBN-13: 9781622400027
    Português Brasileiro
    3.5
    4 avaliações
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    Guria Fãdeveríssimo picture
    Guria Fãdeveríssimo12/07/2023Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Crítica ao American Dream e à meritocracia

    "No–Gatsby turned out all right in the end; it is what preyed on Gatsby, what foul dust floatedin the wake of his dreams that temporarily closed out my interest in the abortive sorrows and short-winded elations of men." – F. Scott Fitzgerald The Great Gatsby é definitivamente um clássico para ler antes de morrer. Mesmo que não seja seu preferido, como não é o meu, é impossível negar o impacto literário da obra e como ela ainda trata de temáticas pertinentes ainda nos dias de hoje. O livro é considerado a obra-prima da literatura americana e explora a falsidade do sonho americano. "Gatsby believed in the green light, the orgastic future that year by year recedes before us. It eluded us then, but that's no matter – tomorrow we will run faster, stretch our arms further... And one fine morning– So we beat on, boats against the current, borne back ceaselessly into the past." – F. Scott Fitzgerald O American Dream é uma ideia associada ao Novo Mundo em que qualquer pessoa, independente do local e classe social de origem, pode alcançar sucesso em uma sociedade onde a ascensão social é possível para todos. Essa crença vem lado a lado com a meritocracia, uma ideia de que qualquer um pode prosperar somente com suas capacidades (méritos) sem precisar de ajuda da sociedade, família ou Estado. Como nunca houve uma aristocracia, ou seja um poder sociopolítico hereditário dado pelo Estado, nos Estados Unidos, o American Dream e a meritocracia foram eram muito influentes na sociedade dos anos 20 e ainda nos dias de hoje como uma forma de justificar as diferenças socias. Porém o livro The Great Gatsby discute como essas duas crenças não funcionam tão bem fora do papel. Jay Gatsby é um homem que com seus próprios esforços e um pouco de sorte conseguiu alcançar riquezas. Ele tem uma mansão, um automóvel e faz festas diárias repletas dos mais variáveis luxos, um exemplo perfeito do personagem que conquistou pela meritocracia o sonho americano. Contudo, Gatsby não consegue desfrutar plenamente da nova posição econômica que conquistou, porque não é aceito na classe social em que pertence. Embora não há uma aristocracia propriamente dita nos Estados Unidos, os velhos ricos, representados aqui por Daisy e Tom Buchanan, funcionam como uma. Mesmo com todo o dinheiro do mundo, Gatsby, um novo rico, nunca vai ser aceito por eles e acaba pagando um preço muito alto na vã tentativa de buscar sua aceitação. "And Gatsby was overwhelmingly aware of the youth and mystery that wealth imprisons and preserves, of the freshness of many clothes, and of Daisy, gleaming like silver, safe and proud above the hot struggles of the poor." – F. Scott Fitzgerald "This is a valley of ashes – a fantastic farm where ashes grow like wheat into ridgesand hills and grotesque gardens." – F. Scott Fitzgerald Os anos 20, também conhecido como os anos loucos, foi uma época de grande extravagância. Novas invenções trouxeram renda extra e tempo para que os ricos pudessem gastar com entretenimento. O jazz, festas regadas a álcool, além do próprio automóvel, viraram símbolos do luxo que aquela época foi recheada. Contudo, todo esse ouro apenas cobria um interior podre. A maior parte da sociedade vivia a parte dessa extravagância, em grande pobreza. Essa miséria, no livro, é representada pelo vale das cinzas. Esse é um lugar descrito como sombrio e cinza onde a população pobre vivia que, em uma metáfora com a ideia de uma cobertura dourada sobre o interior podre, fica localizado entre o West Egg e o East Egg, os bairros ricos onde Tom, Daisy e Gatsby moram. Por mais que os personagens queiram viver em uma bolha de riquezas e privilégios e ignorar o vale das cinzas, os olhos do Dr. Eckleburg estão sempre voltados para ele, mostrando que o vale das cinzas e suas misérias não podem ser ignorados pelo exterior dourado. Além disso, há uma crítica à decadência da sociedade dos anos 1920, que em sua busca desenfreada por prazer, deixam de lado qualquer forma de moral. Uma elite que, de forma corrupta, procura apenas poder, riqueza e status. São superficiais e hipócritas e seus valores materialistas levam à degradação social e, por último, à morte. "Possibly it had occured to him that the significance of that light had now vanished forever. Compared to the great distance that had separated him from Daisy it had seemed very near to her, almost touching her. It had seemed as close as a star to the moon. Now it was again a green light on a dock. His count of enchanted objects had diminished by one." – F. Scott Fitzgerald "So we drove on toward death throught the cooling twilight." – F. Scott Fitzgerald F. Scott Fitzgerald possui um estilo de escrito lírico e evocativo. Por meio de metáforas e simbolismos ele enriquece a leitura transformando significados além do que é comum. Um desses simbolismo, já citado anteriormente, é o Outdoor do Dr. Eckleburg, que está localizado acima do vale das cinzas como se estivesse observando o interior pobre daquele mundo belo. Seus óculos são amarelos, uma cor que aparece no livro diversas vezes como um símbolo de riqueza, mas também idealismo, decadência e morte. O carro de Gatsby, sua gravata, os cabelos de Daisy, os copos onde a bebida era servida... Além do amarelo, outra cor simbólica no livro é o verde. A luz verde que Gatsby vê das docas da casa de Daisy representam o sonho que aparece perto mas na verdade é inalcançável. A cor verde é uma autorização para perseguir esse sonho, mesmo que talvez essa perseguição infrutífera resulte em um preço alto demais para se pagar. "No amount of fire or freshness can challenge what a man can store up in his ghostily heart." – F. Scott Fitzgerald. No centro de todas essas metáforas e simbolismos, temos o romance entre Gatsby e Daisy. Os dois se conhecem antes de Gatsby enriquecer e, a partir daquele momento, seus olhos passam a enxergar Daisy como o símbolo da riqueza e status. Gatsby idealiza a riqueza da mesma forma que idealiza Daisy, é perfeita e ele só será feliz e completo quando obtê-la. Aqui, explora-se o perfeito conflito entre ilusão e realidade. Daisy não é perfeita mas, mesmo com seus modos preconceituosos do meio em que vive, ama a Gatsby. Porém ele não é capaz de amá-la por quem ela é porque está apegado demais à sua versão idealizada que ele mesmo criou. Em um paralelo com Daisy existe a própria riqueza que ela simboliza, Gatsby não consegue aproveitá-la, porque busca nela a felicidade, e nela nunca irá encontrar.

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    Francis Scott Key Fitzgerald profile picture

    Francis Scott Key Fitzgerald

    Consagrou-se como um dos ícones da geração perdida e um dos mais importantes escritores da literatura americana. Afetado pelo alcoolismo e pela degeneração mental de sua esposa, afastou-se da literatura e morreu quase esquecido, trabalhando em Hollywood.

    192 Livros
    771 Seguidores
    Minnesota, Estados Unidos

    Francis Scott Key Fitzgerald