A Vingança do Poderoso Chefão -

    Mark Winegardner

    Bestbolso
    2007
    658 páginas
    21h 56m
    ISBN-10: 8577990192
    Português Brasileiro

    A mais perfeita reconstituição da Cosa Nostra, a Máfia americana, e do mundo alucinante criado por cinco famílias do mafiosi em guerra em Nova York. A mais influente é chefiada por Don Corleone... Ele é o padrinho benevolente que nada recusa aos seus afilhados... Ele pode, num súbito banho de sangue, conseguir qualquer coisa ou arranjar qualquer situação. É recusado a um dos seus protegidos o papel que ele pretenda emprestar em um filme. Ele pretendia representar em um filme. Na manhã seguinte, o chefe do studio acorda e vê horrorizado sobre a cama a cabeça do seu mais lindo e valiosos] cavalo de corrida; apenas a cabeça...

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    Wallace Siqueira21/07/2025Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    “O poder absoluto exige sacrifícios tão profundos que, ao final, quem o detém já não sabe mais o que está protegendo — nem quem ele mesmo se tornou.”

    Eu comecei A Vingança do Poderoso Chefão mais por teimosia do que por expectativa. Depois da decepção com O Retorno, que me pareceu mais uma colcha de retalhos do que uma verdadeira continuação da obra de Mario Puzo, confesso que abri esse livro com um certo ranço. Li esperando o momento de dizer: “Tá vendo? Sabia que não prestava.” Mas, para minha surpresa… ele melhorou. Consideravelmente. Finalmente Mark Winegardner parece ter entendido melhor, aqui, a alma da família Corleone. Ainda não é genial, ainda não tem o peso e o lirismo que o Puzo imprimiu no original — mas há momentos em que ele toca o que realmente importa nessa saga: o vazio que o poder deixa quando consome tudo ao redor. Já aviso que não vou considerar spoiler o trecho abaixo, de um livro com quase 20 anos sobre uma trilogia de um filme com mais de 40 anos... Esse livro não é sobre o crime organizado, nem sobre estratégia ou vingança, embora tudo isso esteja presente. É sobre Michael. Sobre um homem que mandou matar o próprio irmão, afastou a mulher que amava, e viu os fantasmas do passado sufocarem qualquer traço de humanidade que ainda existisse nele. Um imperador cercado de silêncio, saudade e paranoia. Há uma cena, ali pelo final, em que Michael contempla tudo o que construiu — e o silêncio que resta é ensurdecedor. Foi aí que a frase que usei no título da resenha veio à minha mente. Porque é isso. O poder absoluto exige sacrifícios tão profundos que, no fim, quem o detém não sabe mais se está defendendo algo real ou só as cinzas daquilo que um dia teve valor. Ainda assim, o livro não é perfeito. Algumas subtramas cansam, certos personagens parecem estar ali só para preencher espaço, e o texto carece daquele brilho que só o criador verdadeiro dos Corleone sabia dar. Mas tem alma, e isso já é muito. Senti raiva, senti pena, senti até respeito em certos momentos. Winegardner finalmente entendeu que essa história não é sobre mafiosos — é sobre homens tentando sobreviver às escolhas que fizeram. Então, sim. Eu comecei por implicância. Mas terminei com respeito. Não é um clássico. Não vai ser lembrado como o original. Mas, dessa vez, Mark Winegardner conseguiu entregar algo digno do nome que carrega na capa. E por isso, valeu a leitura.

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