Li esse livro e sua sequência para cumprir um desafio. Se arrependimento matasse...
Calafrio é uma versão mais bem acabada dá já minguada febre dos romances sobrenaturais. Ao invés de vampiros, anjos ou qualquer outra presença feérica popular, lobos são os dominantes aqui. E eis então o primeiro problema do livro: zoofilia.
A heroína, Grace, se apaixona por um lobo e por anos a fio tenta domesticá-lo. Não há exagero algum nessa afirmação. O fato de que o lobo é na verdade um lobisomem só é descoberto posteriormente e deixa a protagonista chocada - e a leitura ainda mais perturbadora.
Stiefvater tentou criar um tipo de romance transcendental que ultrapassa o limite da carne, mas o resultado foi a versão intimista de uma perversão sexual que consegue a proeza de se tornar monótona devido ao excesso de diálogos internos e momentos platônicos que parecem absurdos na pele de adolescentes.
O fato é que descrever Sam, o lobo, como alguém quase assexuado não combina muito com a proposta de que ser um lobisomem transforma as pessoas em seres irracionais - diga-se de passagem um dos grandes horrores do livro.
Nem tudo é ruim. A escrita é competente e há alguns poemas razoáveis. Nada que mereça três ou quatro horas do seu tempo, no entanto.