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    La Place -

    Annie Ernaux

    FOLIO
    1986
    113 páginas
    3h 46m
    ISBN-10: 2701154448
    4.1
    52 avaliações
    Leram78Lendo5Querem24Relendo0Abandonos0Resenhas13
    Favoritos3Desejados24Avaliaram52

    "Enfant, quand je m'efforçais de m'exprimer dans un langage châtié, j'avais l'impression de me jeter dans le vide.Une de mes frayeurs imaginaires, avoir un père instituteur qui m'aurait obligée à bien parler sans arrêt en détachant les mots. On parlait avec toute la bouche. Puisque la maîtresse me "reprenait", plus tard j'ai voulu reprendre mon père, lui annoncer que "se parterrer" ou "quart moins d'onze heures" n'existaient pas. Il est entré dans une violente colère. Une autre fois : "Comment voulez-vous que je ne me fasse pas reprendre, si vous parlez mal tout le temps !" Je pleurais. Il était malheureux. Tout ce qui touche au langage est dans mon souvenir motif de rancoeur et de chicanes douloureuses, bien plus que l'argent."

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    Resenhas (13)Ver mais
    Nátali Nuss picture
    Nátali Nuss26/07/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    La peur d'être déplacé, d'avoir honte

    Primeiro, uma nota: essas edições da Folio – coleção de livros de bolso da Gallimard – são um primor. Comprei pelo menos uns quatro livros da Folio na FLIP de 2022 para aproveitar a oportunidade de comprar edições em francês por um preço ok; três desses livros foram da Ernaux (‘La Place’, ‘Les Annés’ e ‘Se Perdre’). Aliás, fun fact: A Annie Ernaux tinha acabado de ganhar o Nobel de Literatura e era a autora homenageada da FLIP daquele ano; estava lá, portanto. O ‘fun fact’, no caso, é que eu quase tive esses meus livros autografados pela recém laureada com o Nobel de Literatura de 2022. Isso, claro, se não fosse a sessão de autógrafos terminar quando faltava, sei lá, cinco pessoas na minha frente de uma fila em que eu já devia estar há pelo menos meia hora. Seja como for, eu tenho algumas boas fotos dela levantando da mesa de autógrafos, se isso vale de algo. Toda essa introdução relativamente inútil para dizer que, depois de ler isso aqui, eu muito provavelmente teria ficado muito irritada comigo mesma se não tivesse encarado aquela fila – mesmo sem ter dado em nada. Isso aqui definitivamente entrou na minha prateleira de favoritos da vida porque conversa tão diretamente comigo que, por vezes, fiquei genuinamente assustada. Afinal, Annie Ernaux está escrevendo rigorosamente sobre a vida DELA aqui – esse é o livro que dá o tom do seu projeto literário pessoal que se seguirá em seus livros seguintes. Aos incautos, pode-se dizer que, com sua obra, Ernaux basicamente revolucionou o gênero da autoficção ou mesmo que fundou um novo gênero: a auto-sócio-biografia. Desse modo, ela sempre começa a partir de questões cotidianas profundamente pessoais para explorar as relações familiares e de classe mais globais, fundindo a sua história pessoal com a história dessa França do século XX e a própria sociologia, num sentido mais amplo. Neste livro, em particular, ela enfoca a relação que tinha com seu pai. Apesar de parecer um intento pretensioso – e talvez até ser –, ela o faz com maestria. Sua escrita é impressionante – por isso, inclusive, sou grata por ter lido diretamente em francês; a sua narrativa se assemelha a um diário em forma de romance, ao mesmo tempo em que oferece panoramas que abordam questões mais complexas relacionadas à nossa consciência de classe e ao nosso senso de pertencimento a determinados contextos e espaços. Apesar disso, é como eu disse: mesmo que não se fosse sabido que esse é um relato pessoal, o livro se sustenta com seus próprios pés enquanto um romance. Acredito que esse livro dialoga tão pessoalmente comigo porque aborda como o acesso à instrução vai distinguindo a sua experimentação do mundo da experimentação dos seus pais – especialmente do seu pai. E se por um lado isso lhe proporciona acesso a contextos sociais diferentes de sua origem – esses espaços, lugares, ‘les places’ –, por outro demarca um afastamento de sua família, que é pertencente a uma geração e uma classe que não reconhece atividades intelectuais como formas de trabalho próprias de 'gente como eles'. Então, é esse sentimento ‘d'être déplacé’. Por fim, falando de um ponto de vista extremamente pessoal agora: sendo a primeira pessoa do meu núcleo familiar a alcançar o ensino superior, esse livro meio que me oportuniza expressar a experiência um tanto quanto inefável que é a de se esforçar para justapor essas duas realidades. Atividade que, no final das contas, acaba resultando em um empenho hercúleo de reconciliação de diferentes pedaços do quebra-cabeça que eu sou no mundo. Em linhas gerais, é como tentar emendar quem eu era com quem eu me tornei de uma maneira que não seja necessário renunciar tudo o que foi conquistado para entender esse dito 'lugar' do outro. Et enfin, comprendre cette place qui est à moi.

    7 curtidas

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    4.1 / 52
    • 5 estrelas29%
    • 4 estrelas48%
    • 3 estrelas21%
    • 2 estrelas2%
    • 1 estrelas0%
    Annie Ernaux profile picture

    Annie Ernaux

    Annie Ernaux é uma escritora e professora francesa. Sua obra literária é frequentemente referida como "autossociobiografia", por se calcar em eventos de sua própria vida (por vezes bastante íntimos) para construir relatos que dissecam a atmosfera social de diversos momentos do século XX. Foi a laureada do Prêmio Nobel de Literatura de 2022 <i>"pela coragem e acuidade clínica com que ela descortina as raízes, os estranhamentos e os constrangimentos coletivos da memória pessoal"</i>.

    87 Livros
    347 Seguidores
    Normandie, França

    Annie Ernaux