"Antes de conhecer pessoalmente Marly de Oliveira conheci sua poesia. Mesmo sendo de outra geração eu a registrei, em primeiro lugar pela materialidade da linguagem, pela capacidade de objetivação. Em segundo lugar, pela capacidade de construir, tanto o poema longo como o poema curto, sempre mantendo alto nível intelectual. Os livros de Marly de Oliveira me parecem estruturados, mas não de forma logo visível. Não é uma estruturação em linha contínua, como um tedious argument/of insidious intent", como dizia Eliot. Eles não têm o discursivo de um argumento como princípio, meio e conclusão, como acontece em geral com a poesia de caráter reflexivo. Eles parecem recomeçar a reflexão a cada capítulo, mostrando novos aspectos do objeto de que fala ou novos pontos de partida da reflexão, como "Narciso" e no "Orpheu", em que em cada parte o mito é retomado para ser apresentado de um novo ângulo ou uma luz diferente. Nunca aquela penúria verbal de que se queixava José Guilherme Merquior nos poetas mais jovens de hoje". João Cabral de Melo Neto.



